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Raul Vaz 03 de Janeiro de 2006 às 13:59

Quando se perde a cerimónia

O país das dezenas de milhar – «Record», «Bola», «Jogo» e actualização garantida na rádio e televisão – está vidrado no folhetim Moretto.

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Nada mais conta: as previsões do FMI sobre o crescimento da economia portuguesa para este ano (o pior da União Europeia); a vacinação gratuita contra a meningite (uma excelente iniciativa do Governo Sócrates); o corte de fornecimento de gás à Ucrânia (decisão russa que assusta a Europa). Qual o quê!? Portugal alimenta-se de novelas da vida real, sobretudo quando a pobreza de espírito enobrece comportamentos contrários à civilidade. O folhetim Moretto alimenta uma guerra, mais uma, no futebol português. Com todos os ingredientes: a viagem do presidente do Benfica a missão de resgate no Brasil (longe estão os tempos de Borges Coutinho), cenas de violência física nos aeroportos, supostas manobras de coacção de entidades empregadoras sobre um trabalhador. Muita matéria para uma acesa discussão pública – não arriscamos se apostarmos que os próximos desenvolvimentos serão condimentados com as versões contraditórias que sustentam o fascínio de uma traição. O futebol serve de espelho a um país em falência de princípios. Em que vigora uma assustadora falta de cerimónia.
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