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Que camisola vestem os jogadores de futebol?

Em caso de lesão, argumentam os clubes, quem é que vai pagar a recuperação do jogador acidentado? E o ordenado, os prejuízos resultantes da sua ausência ao trabalho?

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1. O futebol é mesmo um grande negócio

A dimensão económica que o futebol atingiu nos últimos anos, levou muitos clubes a questionar a presença dos seus mais valiosos activos, os jogadores, em encontros das selecções dos respectivos países.

Entende-se a preocupação dos clubes. Na lista nos 20 clubes mais ricos do mundo aparecem inscritas quantias astronómicas. O menos valioso dos 20 magníficos, vale mais de 90 milhões de euros. Mas a estrela do ranking é mesmo o Real Madrid, considerado num estudo recente da consultora Deloitte, o clube de futebol mais rico do Mundo na época de 2004/2005, superando os ingleses do Manchester United.

O futebol, os principais clubes, são uma verdadeira máquina de facturação. De acordo com o estudo da «Football Money League», o clube madrileno obteve na época passada receitas de 275,7 milhões de euros, enquanto a formação inglesa se ficou pelos 246,6 milhões de euros. E este mesmo estudo acrescenta que o sector vai continuar a captar mais investimento.

2. As causas da polémica

Um nobre gesto da França em se oferecer para jogar um amistoso contra a Costa Rica, na Martinica, foi suficiente para incendiar a rivalidade entre clubes e selecções nacionais no futebol europeu.

O jogo nem sequer era um encontro importante do ponto de vista futebolístico. Não contava para o campeonato dos pontos, nem das taças. Mas tinha a nobre intenção de prestar um tributo às famílias dos moradores da Martinica que morreram num um acidente de avião. Os clubes, que têm jogadores a representar as cores da selecção gaulesa não gostaram da data escolhida para jogo.

Os argumentos não são novos. A guerra também não. Mas à porta do Mundial de Futebol da Alemanha ganharam maior projecção. Dizem os clubes que são eles que pagam os ordenados, a preparação, os seguros dos jogadores. E acusam as selecções de «utilizarem» os seus mais valiosos activos com os jogos das selecções. Em caso de lesão, argumentam os clubes, quem é que vai pagar a recuperação do jogador acidentado? E o ordenado, os prejuízos resultantes da sua ausência ao trabalho?

As selecções respondem. Desde logo argumentando que o futebol não pode ser visto apenas sob o ângulo da economia, do negócio. A representação de uma selecção nacional é um dever dos jogadores e deverá sempre ser considerado uma honra. Mas há quem vá mais longe e afirme que as selecções são também elas uma montra de jogadores. São conhecidos os casos em que um passe de um determinado jogador registou uma valorização.

3. A respostas dos gigantes do futebol

O que é certo é que os clubes mais ricos do mundo, reunidos no G-14 e as Ligas Europeias de Futebol Profissional, têm vindo a reclamar junto da FIFA e UEFA compensações financeiras pela cedência de jogadores às selecções nacionais, bem como a criação de seguros para prevenir lesões ao serviço das federações. E já ameaçaram que ou se chega a um acordo ou os jogadores podem começar a ter razões fortes para faltar aos jogos das selecções.

Por estes dias um analista do sector afirmava que entre uma viagem à Ásia e um jogo da selecção os clubes do G-14 preferem optar pela primeira. As razões são óbvias: um road-show em terras asiáticas faz vender mais camisolas e contribui mais para o aumento das receitas dos clubes do que um mundial inteiro. Aliás alguns clubes chegam mesmo a contratar jogadores de determinadas regiões do globo, nomeadamente da Ásia, para reforçar a ligação a esse gigante mercado emergente.

A Fifa afirma que um estudo recente revela que 66% dos adeptos dos principais clubes afirmam que o futebol perdeu sua identidade porque são cada vez menos os clubes que optam maioritariamente por jogadores locais. Para travar esta tendência, na próxima temporada, os clubes que disputem competições europeias terão que ter quatro jogadores criados no próprio país, ou seja, que entre os 15 ou 21 anos tenham jogado por três temporadas no clube.

Com o Mundial à vista, com mais uma temporada em preparação, vai ser duro o braço de ferro entre clubes e selecções. Mas até lá e porque o Sub21 já começou e o Mundial espreita, que ganhe Portugal em todas as frentes.

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