Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Armindo Bento 27 de Setembro de 2004 às 13:59

Que estratégia para o serviço público de transportes de passageiros? (III)

O objectivo estratégico da política de um serviço público de transportes é o de proporcionar aos cidadãos um sistema de transportes seguro e sustentável do ponto de vista económico-financeiro, ambiental e social com qualidade.

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

As medidas que têm vindo a ser anunciadas não terão qualquer efeito na melhoria quer das empresas quer dos serviços públicos, sendo uma completa irrealidade ou será desconhecimento, as afirmações de que «subjacente a estas alterações está o princípio do utilizador-pagador que o ministro da tutela, António Mexia, tenciona aplicar ao sector». Objectivo? Aproximar as receitas destas empresas dos respectivos custos de operação, mantendo ao mesmo tempo a contribuição do Estado para assegurar a componente de serviço público, indicou o secretário de Estado dos Transportes. A meta em cima da mesa é tornar o sistema «sustentável» dentro de cinco anos, sem os enormes prejuízos que tem actualmente. Assim o Governo vai incluir já no Orçamento de Estado para 2005 a possibilidade de dedução em IRS do valor dos passes sociais utilizados nos transportes rodoviários e ferroviários de passageiros, uma medida que no próximo ano irá abranger os «escalões mais baixos» dos contribuintes, «esta é uma maneira de reconhecer as famílias pela via fiscal, por um comportamento colectivo positivo» por definir está quais serão os escalões do IRS abrangidos pelos novos benefícios fiscais – uma medida «progressiva», segundo Jorge Borrego – e qual irá ser o impacto financeiro nas receitas do Estado. Pois é, vamos assistir a que, por exemplo, os detentores de salários elevados poderiam, se fossem utilizadores do passe social! descontar no IRS o seu valor, enquanto os que de facto dele necessitam não serão abrangidos! O que os números sobre a matéria fiscal também provam é que os esforços de combate à fraude e à evasão fiscal que têm sido periodicamente anunciados pelos vários governos são eles próprios uma descarada fraude e uma manobra de evasão, tendo sido, das vezes que foram timidamente iniciados, sempre esquecidos e interrompidos. «Quando é possível que um profissional liberal com duas casas e dois carros topo de gama declare rendimentos de 600 euros por mês, anos a fio, sem ser minimamente questionado pelo fisco, isso significa que o sistema não tem nenhuma moralidade». Como é a mesma declaração de IRS fraudulenta que é usada para avaliar a situação financeira das famílias, o que pode acontecer é que o profissional liberal em questão ainda receba um subsídio do Estado para ajudar a pagar a mensalidade da escola privada onde andam os seus filhos. Esta é uma das razões por que todas as medidas «moralizadoras» de modulação das taxas moderadoras, conforme o nível económico das famílias, se encontram feridas de uma profunda imoralidade. «Deve dizer-se, em abono da verdade, que os profissionais liberais não são os únicos que fogem ao fisco. Eles são apenas um dos picos de muitos icebergues. Nem o IRS é o único imposto ao qual se foge. Mas eles são um indicador da actual situação de cobrança dos impostos, que protege os mais ricos para concentrar a sua sanha nos trabalhadores por conta de outrem.

Em nosso entender, o objectivo estratégico da política de um serviço público de transportes é o de proporcionar aos cidadãos um sistema de transportes seguro e sustentável do ponto de vista económico-financeiro, ambiental e social com qualidade. Na nossa perspectiva, o serviço público fluvial de transporte de passageiros, referência específica embora o mesmo se aplique a todos os modos de transporte, tem hoje novos desafios que se inserem especificamente nas áreas da avaliação do desempenho e da rentabilidade social do serviço público de transporte fluvial de passageiros. Cada vez mais suportar e conferir viabilidade sustentada ao respectivo negócio – de prestação de serviços na área do serviço público de transporte fluvial de passageiros e de desenvolvimento de actividades complementares como forma de potenciar os recursos e meios técnicos e humanos disponíveis.

Podemos até definir alguns dos objectivos prioritários:

- Fidelizar os clientes, colocando-os no centro da actividade da empresa – Como é que nos podemos tornar valiosos para os nossos clientes? Que novas propostas temos para os nossos clientes? O que é que os nossos clientes esperam de nós?

- Melhoria da Gestão de Recursos Humanos – apostar na qualidade como postura profissional, valorização dos postos de trabalho e formação profissional e estabilidade laboral alicerçada num apoio social complementar.

- Profundo reforço das competências de liderança – a nível interno pela reformulação das estruturas operativas e funcionais e pela assimilação da cultura de produtividade como reforço da competitividade; e a nível externo pela inovação e agressividade na promoção do transporte público, propostas de reformulação do sistema de repartição de receitas de passes intermodais, gestão adequada dos bilhetes de passageiros ocasionais.

- Procurar a implementação da diferenciação e da flexibilização – como forma de potenciar (melhorar o aproveitamento dos recursos humanos e meios técnicos disponíveis, uniformização de procedimentos de trabalho) e garantir a sustentabilidade dos postos de trabalho .

Com efeito, a par da importância estratégica que detemos enquanto operador de transporte, num sistema de clara concorrência com outros modos de transporte nomeadamente o individual e ainda como alternativa estratégica em eventuais situações de emergência. Uma empresa que presta um serviço público não pode ser apenas orientada pela produção da oferta de transporte, é fundamental que a estratégia seja entendida e compreendida como a prestação de um serviço – um serviço ao cliente – por isso temos que equacionar este problema estratégico para a viabilização e sustentabilidade económica da empresa, e complementarmente continuarmos a trabalhar em estreita colaboração com alguns parceiros e a desenvolver uma estratégia conjunta para a actividade comercial de modo a criarmos uma diversificação na nossa oferta base de serviços , potenciando novas alianças que possibilitem um crescimento da actividade da empresa . Surge também como necessário a identificação alguns pontos fortes e fracos indispensável para traçarmos uma previsão para o futuro , só depois de sabermos onde estamos é que podemos indicar para onde queremos ir.

Assim, como pontos fortes do serviço fluvial :

- Embarques em lugares estratégicos nas duas margens;

- Existência de parques de estacionamento ( Seixal , Barreiro eMontijo); 

- Qualidade do serviço prestado nas ligações com catamarãs;

- Preços competitivos com outros modos de transporte:

- Rapidez , comodidade , qualidade e segurança:

- Elevada fidelização dos clientes:

- Clima laboral com relevância para a dedicação e alto grau de profissionalismo de um número significativo de trabalhadores:

- Uniformização da gestão das duas empresas:

E alguns pontos fracos :

- Existência de alguma frota antiga prestando serviço de menor qualidade;

- Dificuldades de encontrar pessoal especializado;

- Necessidade de melhoria e actualização técnica das condições de navegabilidade e operação no rio Tejo;

- Dificuldades de interligação com outros modos de transporte;

- Dificuldades no mercado de trabalho de renovação de algumas classes profissionais;

- Eventual dificuldade de adaptação a uma diferente filosofia labora com a integração da Soflusa. 

(Continua na edição de amanhã)

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias