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Que Santana Vamos ter

A pasta das Finanças tornou-se o carimbo da credibilidade do Governo. Barroso não era suficientemente durão, por isso encontrou uma dama de ferro, deu-lhe o estatuto de ministra de Estado e durante dois anos andou ancorado na figura da doutora Ferreira Le

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A pasta das Finanças tornou-se o carimbo da credibilidade do Governo. Barroso não era suficientemente durão, por isso encontrou uma dama de ferro, deu-lhe o estatuto de ministra de Estado e durante dois anos andou ancorado na figura da doutora Ferreira Leite.

Já antes, em pleno «sprint» para a moeda única, António Guterres também chamou Sousa Franco. Para ser levado a sério.

Agora, por razões mais do que conhecidas, Santana Lopes precisa de um ministro das Finanças inquestionável. Alguém capaz de legitimar toda a sua política económica. De certa forma, alguém que até o legitime a si próprio enquanto primeiro-ministro.

Não há dúvidas que António Borges cumpre os requisitos. Ele dá a Santana todas as garantias que o doutor Sampaio lhe exigiu. Percebe-se, assim, a insistência em cativar Borges para o Governo. Não porque goste especialmente dele - porque não gosta! Mas porque precisa.

Se a hipótese falhar, Santana Lopes pode aceitar Carlos Tavares para o lugar. A pedido de Durão Barroso. Porque este tem uma dívida de gratidão ao ainda ministro da Economia. E porque Santana está grato a Barroso.

E é neste quadro que o futuro Governo de Portugal está a ser constituído. Uns, para cobrir o défice de credibilidade do chefe. Outros, como forma de pagamento de reconhecimentos antigos.

Ou seja, Santana Lopes está a formar uma equipa exactamente da mesma forma que todos os seus antecessores o fizeram. A fazer compromissos. A aceitar pessoas que não gosta e muito menos queria.

Ele jurou que iria portar-se bem, o Presidente da República avalizou-o com essa admoestação severa - preventiva, mas severa.

E, assim, entramos numa nova fase. Uma realidade em que, até ao momento, que as principais personagens avisam publicamente que vão mudar, mas o «filme» continua a ser o mesmo.

Sampaio vai mudar como Presidente. Santana vai mudar por ser primeiro-ministro. E Ferro já se mudou da liderança da oposição. As questões a esclarecer nos próximos meses são: o que muda no país? em que sentido correrá essa mudança? e com que profundidade essa mudança será feita?

O nosso futuro primeiro-ministro já deu indicações importantes na primeira entrevista ontem à noite concedida à SIC - é que, ele próprio confessou, achou mais importante falar primeiro com Ricardo Costa e só depois com Paulo Portas.

Depois, deu indicações sobre o que vai fazer na administração pública: o Turismo para Faro, a Agricultura para Santarém, a Economia para o Porto, etc. Isto sim, é uma medida de fundo. Porque implica rever antes a Constituição da República. A alternativa é ver o número de funcionários públicos atingir a fasquia de um milhão.

Não recordo um único Governo que tenha conseguido ser reformista nos dois últimos anos de vida. Santana Lopes já está limitado. Por um prazo que é curto. Pelas influências de sempre. Santana Lopes que coloca Tavares nas Finanças não é o mesmo que esteve na entrevista de ontem. A sensação é estranha: um país, sem líder na oposição mas com dois chefes no Governo.

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