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José Maria Brandão de Brito 26 de Julho de 2016 às 20:40

Que Setembro aí virá?

Quase de partida para férias, umas brevíssimas reflexões sobre a nossa situação económica e política. Ainda subsiste "o novo ar que se respira" desde as eleições legislativas e presidenciais.

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A sociedade tem estado mais distendida e a generalidade dos portugueses tem-se mostrado mais esperançosa quanto ao futuro. Só nos últimos dias se nota o regresso de uma certa crispação. Por enquanto apenas sinais de preocupação…

 

De facto, existe uma alguma deterioração da conjuntura interna, consequência de três razões principais: as crises que a UE, nossa mais próxima fronteira, teima em ignorar ou protelar; algum optimismo dos pressupostos em que se fundamentou a nossa actual política económica e que não tem sido possível concretizar; a crise bancária que umas vezes se traduz em meros casos de polícia, mas que outras se adensa como resultado do modo desajeitado como tem sido tratada.

 

As nossas grandes prioridades continuam a ser a consolidação das finanças públicas, ou seja, o controlo do deficit e da dívida pública e a limitação dos estragos provocados pela enorme dívida privada. Sem alcançar estes objectivos não vai ser possível tornarmo-nos fiáveis, gerarmos confiança nos mercados internacionais, criarmos condições de atractividade para os investidores internacionais, sermos competitivos e encetarmos um período de crescimento que se auto-sustente.

 

A verdade é que as perspectivas para 2016 ainda não são muito claras, apesar de estarmos em finais de Julho e os sinais, do ponto de vista financeiro, serem bastante animadores: a economia global continua instável, os mercados nervosos e a UE, que olimpicamente faz por ignorar nos nossos argumentos e esforços, com as suas ameaças e hesitações diminui a nossa margem de manobra. Estou um pouco menos optimista do que há uns meses embora não alinhe com aqueles que vêem o demónio e catástrofes destruidoras a cada esquina, a cada indicador ou a cada capricho dos mercados.

 

Em Setembro, quando as coisas se começarem a complicar, cada um vai ser obrigado a mostrar o jogo que verdadeiramente quer jogar. Ninguém se pode pôr de fora: o país não suportará por mais tempo a inexistência do CDS nem a insistência arrogante do PSD numa atitude de desafio e na sua birra infantil de que o Governo não tem legitimidade porque o PS não ganhou as eleições, mostrando o seu desconforto e trazendo a luta política para terrenos inadequados como o que se está a passar com o debate em torno do sistema bancário.

 

Ao Governo pede-se que seja mais assertivo e mais rápido nas decisões. Por outro lado, creio que deve ser possível, defender o interesse nacional, adoptando um tom equilibrado e pragmático para lidar com as instâncias comunitárias.

 

Por fim, os partidos que apoiam a solução governativa: o BE, o PCP e Os Verdes. A sua unidade no apoio à solução governativa do PS não pode ser apenas marcada pela negativa. A insistência com que vão multiplicando sempre mais uma exigência, impondo mais uma restrição, constituem pauzinhos na engrenagem que dificultam a vida de quem tem como função governar. Diz o povo (não é Jerónimo de Sousa?): "Quem tudo quer tudo perde." À medida que a situação se vai tornando mais complexa têm de se convencer de que o seu desígnio não é acrescentar problemas, mas fazer parte da solução.

 

Que Setembro aí virá? Todos vão ter voz. Portugal escutará, mas não perdoará nem erros nem dislates.

 

Navegar bem vai ser preciso!

 

Economista. Professor no ISEG/ULisboa

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