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Francisco Jaime Quesado 01 de Fevereiro de 2008 às 13:59

Quem é que de Portugal foi a Davos?

A mensagem de Davos 2008 não podia ser mais clara.. A propósito do tema genérico da Edição 2008 “The Power of Collaborative Inovation” fica mais do que nunca claro que a “Inovação, tal como o simples acto de nadar, não se faz por decreto, mas antes indo p

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Portugal não escapa à regra. Em tempo de novas apostas, muito centradas no discurso nos Factores Dinâmicos de Competitividade, as “elites da mudança”, tão presentes em Davos 2008, têm um papel essencial a desempenhar. Por isso, importa saber quem de Portugal foi a Davos em 2008.

Os conhecidos baixos índices de “capital estratégico” na maior parte dos países e a ausência de mecanismos centrais de “regulação positiva” têm dificultado o processo de afirmação dos diferentes protagonistas das “elites da mudança”. Independentemente da riqueza do acto de afirmação individual da criatividade, numa sociedade do conhecimento, importa de forma clara “pôr em rede” os diferentes actores e dimensioná-los à escala duma participação global imperativa nos nossos tempos. Apesar dos resultados de iniciativas diversas na área da política pública, vocacionadas para posicionar os diferentes actores no competitivo campeonato da inovação e conhecimento, falta uma estratégia transversal.
 
A Inovação Colaborativa

A sociedade civil tem nesta matéria um papel central. As “elites da mudança”, na sua diferença e no seu sucesso, são o resultado dum “tecido social” que se pretende voltado para um futuro permanente. Os índices de absorção positiva por parte da sociedade dos contributos inovadores das “elites da mudança” passam muito pela estabilização de condições estruturais essenciais. A matriz comportamental da “população socialmente activa” das actuais sociedades é avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Ou seja. Dificilmente se conseguirá impor por decreto uma “revolução empreendedora” e mesmo o aumento do desemprego, por força da desindustrialização e emagrecimento dos Serviços Públicos/Privados poderá não ser suficiente para suscitar uma “autoreacção” das pessoas.

A falta de rigor e organização nos processos e nas decisões, sem respeito pelos factores “tempo” e “qualidade” já não é tolerável nos novos tempos globais. Não se poderá, a pretexto de uma “lógica secular latina”, mais admitir o não cumprimento dos horários, dos cronogramas e dos objectivos. Não cumprir este paradigma é sinónimo de ineficácia e de incapacidade estrutural de poder vir a ser melhor. A ausência da prática de uma “cultura de cooperação” tem-se revelado mortífera para a sobrevivência das organizações. Na Sociedade do Conhecimento sobrevive quem consegue ter escala e participar, com valor, nas grandes Redes de Decisão.

Na Nova Sociedade Aberta, as Empresas, as Universidades, os Centros de Competência Políticos têm que protagonizar uma lógica de “cooperação positiva em competição” para evitar o desaparecimento. Querer cultivar a pequenez e aumentá-la numa envolvente já de si pequena é firmar um atestado de incapacidade e de falta de crença no futuro. É doentia a incapacidade em definir, operacionalizar e dinamizar a lógica de “Capital Social” na Nova Sociedade. O diagnóstico está feito há muito tempo sobre esta matéria. Mas também já não pode ser, porque não é, a lógica do “low cost support” como referencial de criação de emprego e de fixação de “capital social básico” nos territórios.

Reinvenção Estratégica

A consolidação do novo papel das “elites da mudança” entre nós passa em grande medida pela efectiva responsabilidade nesse processo dos diferentes actores envolvidos – Estado, Universidade e Empresas. No caso do Estado, no quadro do processo de reorganização em curso e de construção dum novo paradigma tendo como centro o cidadão-cliente, urge a operacionalização de uma atitude de mobilização activa e empreendedora da revolução do tecido social. A Reinvenção Estratégica do Estado terá que assentar numa base de confiança e cumplicidade estratégica entre os “actores empreendedores” que actuam do lado da oferta e os cidadãos que respondem pela procura – Criatividade & Inovação terão que ser aqui de forma sustentada as palavras que garantem uma lógica de sustentabilidade nos resultados a médio prazo.

No caso da Universidade, ela tem que se assumir como um Actor Global, capaz de transportar para a nossa matriz social a dinâmica imparável do conhecimento e de o transformar em activo transaccionável indutor da criação de riqueza. Cabe-lhe o papel de fazer convergir sobre si a capacidade de, através duma aposta cruzada permanente entre o Conhecimento e a Cultura, ser responsável pela formação de verdadeiros Cidadãos Globais, os tais que a Sociedade precisa para afirmar a sua dimensão estratégica e competitiva a nível internacional. Quem está e quem sai da Universidade tem que dominar de forma activa o capital comum do conhecimento e da cultura como peças centrais da formação de cidadãos capazes de actuar em segurança e criatividade num mundo em permanente mudança.

Cabe naturalmente às empresas um papel claramente mobilizador na afirmação das “elites da mudança” um pouco por todo o mundo. Pelo seu papel central na criação de riqueza e na promoção de um processo permanente de reengenharia de inovação nos sistemas, processos e produtos, será sempre das empresas que deverá emergir o “capital expectável” da distinção operativa e estratégica dos que conseguirão ter resultados com valor alavancado na competitiva cadeia do mercado. Aqui a tónica tem mais do que nunca que ser pragmática, como demonstram as sucessivas acções externas realizadas recentemente. Convergência Operativa sinalizada em apostas concretas onde realmente vale a pena actuar, selecção objectiva de sectores onde há resultados concretos a trabalhar.
 
No Presente para o Futuro

As ideias de Davos 2008 não podiam ser mais evidentes. A Nova Agenda discutida à volta do tema do “Power of Collaborative Inovation” não deixa margens para dúvidas relativamente à urgência de equilibrar com convicção as tendências de evolução no optimismo pretendido no crescimento económico. Se as “Vozes dos Líderes” partilham dessa pretensa consensual “ideia estratégica”, já não é tão claro que a “Voz das Pessoas” sintonize de forma assumida a dimensão do alcance deste novo paradigma.

É aqui que entram as “elites da mudança”. Compete a estes “actores de distinção” um papel decisivo na “intermediação operativa” entre os que estão no topo e os que estão na base da pirâmide. Só com um elevado “índice de capital intelectual” se conseguirá sustentar uma participação consistente na renovação do “modelo social” e na criação de plataformas de valor global sustentadas para os diferentes segmentos territoriais e populacionais. Portugal não pode ignorar a dimensão única deste desafio que o futuro agora encerra.

A mensagem de Davos 2008 é mais do que nunca actual entre nós. As “elites da mudança” têm que se legitimar no tecido social português e terão que ser capazes de ganhar estatuto de verdadeiro “parceiro estratégico” do desenvolvimento do país. Isso faz-se com “convergência positiva” e não por decreto. Importa por isso, mais do que nunca, estar atento e participar com o sentido da diferença. Importa, por isso, saber quem de Portugal foi a Davos e que mensagem traz ao país.

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