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Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 22 de Outubro de 2012 às 23:30

Queremos mais tempo para o défice? Mesmo?

O Banco de Portugal revelou que a dívida pública já chega a 199 mil milhões de euros, 117,6% do PIB. Como no final de 2011 a dívida estava em 108,1% do PIB, há duas perguntas inevitáveis (só ontem recebi meia dúzia de mails sobre o assunto): 1 - Como é que a dívida continua subir, apesar dos sacrifícios que estamos a fazer? 2 - Quando é que isto vai parar?

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1 - A dívida sobe porque não cortamos o défice à velocidade exigida; e, por isso, pedimos dinheiro emprestado. A segunda resposta é ainda mais fácil: a dívida só vai parar de crescer quando a taxa de crescimento (nominal) da economia for superior à taxa de juro (nominal) que paga pelo dinheiro que pede emprestado.

Tudo isto é lapalissiano? É. Mas o nosso problema é esse: gostamos de conversa fiada quando as Finanças Públicas são simples contas de somar e diminuir. No caso concreto, como não estamos a cortar despesa ao ritmo suficiente, a dívida pública vai continuar a subir, "picando" nos 123,7% do PIB em 2013.

É aqui que vale a pena perguntar se mais tempo faz mesmo sentido. É que mais tempo é igual a mais défice; e mais défice significa mais dívida (dívida são défices acumulados). E dada a evolução do PIB (baixas taxas de crescimento), qualquer descuido no ritmo de endividamento atira-nos para o grupo de países onde a reestruturação da dívida se tornou inevitável. Até porque o universo dos nossos activos com valor nos mercados, cuja venda nos permite amortizar dívida, vai-se reduzindo a olhos vistos (veja-se a situação da TAP…). É isso que o país quer?


P.S. - Joana Marques Vidal nem aqueceu o lugar e já levou com uma vergonhosa violação do segredo de Justiça. Deve ter sido mera coincidência…

camilolourenco@gmail.com

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