Fernando  Sobral
Fernando Sobral 08 de setembro de 2016 às 09:37

Rajoy e a fábula do ex-ministro Soria no Banco Mundial

Espanha política continua a deslumbrar-nos todos os dias. Já não basta estar há quase um ano à procura de um Governo que não seja de gestão. Agora Mariano Rajoy embrulhou-se num caso que levou a uma rebeldia dentro do PP.


José Maria Soria foi ministro de Rajoy. Apanhado em falso, por ter contas "off-shore" não declaradas, teve de se demitir. Mas agora o Governo, num processo de concurso público não existente, nomeou-o para director do Banco Mundial. O clamor foi tanto, especialmente depois do pacto PP-Ciudadanos, para a transparência política, que Soria se demitiu do cargo para o qual fora nomeado. No El País, Manuel Jabois escreve: "Com mentiras privadas pode ganhar-se muito mais; com as públicas detectadas pela sociedade, é difícil que se bata um recorde assim (226 mil euros livres de impostos), especialmente quando ela é promovida pela mesma instituição de onde teve de se demitir." O escândalo atravessou toda a sociedade espanhola e Rajoy foi obrigado a fazer o que mais sabe: calar-se.

No El Mundo, Lúcia Mendez, não cala o desconforto existente: "Este episódio passará a fazer parte da 'Guerra dos Tronos' do governo de Rajoy. Como se, na verdade, houvesse governo de Rajoy." Este sacode a água do capote. Diz a jornalista: "Ainda que Mariano Rajoy tenha sido explícito na hora de defender que a nomeação do seu ex-ministro era tão lógica como a regra de três e tão justa que não se podia duvidar, os 'hooligans' do presidente do PP passaram a culpa para De Guindos (o ministro das Finanças)." E assim Rajoy safa-se, sacudindo as responsabilidades para os seus colaboradores. E José Oneto, jornalista antigo que passou muitos anos no grupo Zeta, na República das Ideias é demolidor: "A renúncia fechou por momentos um dos casos mais vergonhosos com que se tentou enganar a opinião pública." Resta saber se ficará tudo igual.



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