João Quadros
João Quadros 16 de maio de 2014 às 09:53

Rebanhos de desempregados

Para mim a notícia da semana foi: "governo vai colocar os desempregados e os beneficiários do Rendimento Social de Inserção a limpar e vigiar as florestas do País.

 

Para mim a notícia da semana foi: "governo vai colocar os desempregados e os beneficiários do Rendimento Social de Inserção a limpar e vigiar as florestas do País. O protocolo foi assinado esta segunda-feira e conta com 550 acções de prevenção de incêndio, reflorestação e vigilância das florestas". Portanto, vão pôr os desempregados a ajudar o desemprego.


Perante esta notícia é fácil concluir que o Governo recorreu a uma solução mais barata que a que estava prevista no verão passado. Relembro que, há cerca de um ano, tinham anunciado - "Cerca de 150 mil cabras vão prevenir a ocorrência de fogos, limpando campos e matas". Alguma coisa mudou. Provavelmente, as cabras não aceitaram as condições e tiveram de recorrer aos desempregados e beneficiários do RSI. É compreensível e, obviamente, é mais fácil arranjar 150 mil desempregados do que o mesmo número em cabras. Por outro lado, é sabido que os beneficiários do RSI são animais flexíveis, que se adaptam a todos os terrenos, e que comem tudo por onde passam (e quem nunca experimentou queijo de beneficiário do RSI não sabe o que perde).


À partida a ideia não me parece má - se não fossem ideias como esta nunca teria havido pirâmides no Egipto - mas, pôr desempregados e beneficiários do RSI a limpar florestas pode não resultar, porque é demasiada gente para isso. Não temos floresta que chegue. Em vez disso, deviam abrir uma empresa de logótipos humanos para grandes eventos. Por outro lado, não sei se é boa ideia o Governo começar a juntar desempregados e malta do RSI... e a dar-lhes forquilhas e pás... - a sorte do Governo é eles não estarem organizados, começam por limpar matas e depois limpam as lojas e por aí fora, à sorte.


Se eu fosse desempregado (ou beneficiário do RSI) e me mandassem para a floresta limpar caruma a troco de sopa, tentava arranjar um segundo emprego. Diz que pagam bem para pegar fogo à mata: é a economia paralela da escravidão.


Mota Soares quer castigar os desempregados e a malta do RSI. Exigem tanta coisa para se poder receber um cheque de 190 euros que só falta fazerem como fazia o Júlio Isidro, com o presunto, e colocar o cheque no cimo de um mastro cheio de sebo: "Querem o cheque? Vão ter de suar. O Vosso cheque de duzentos euros está atado ao pescoço daquele lince da Malcata: vão ter que tirar o cheque ao lince sem o magoar que ele é de uma espécie em vias de extinção. Sugiro que usem o mais novo como isco."


Mota Soares está desconfiado que a maioria das pessoas que aldraba o subsídio tem gente na família que gosta de ler a sina, mas como não pode dizer isso claramente obriga a residência fixa para excluir roulotes. Não me admirava que ele inventasse um trabalho muito simples que todos têm que fazer que é cuidar de sapos.


A lógica do Pedro Mota Soares em relação às pessoas que recebem o rendimento social de inserção é a mesma que as pessoas têm em relação aos políticos: é tudo uma cambada de aldrabões, de ladrões e de chupistas. Vamos lá ver, Mota, não podemos generalizar: claro que há gente que tem esquemas e que aldraba - e que recebe um subsídio que não devia receber - assim como há políticos que não estão lá para se encher

 

 

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 2  Despedimento colectivo na RTP "é a última hipótese" - Alberto da Ponte. A penúltima é incêndio com vítimas.


 3  Tony Carreira foi hospitalizado - Com uma doença muito parecida com a de um cantor espanhol.


 4  O austríaco Conchita Wurtz venceu o festival da eurovisão - A canção da Áustria parece banda sonora para um filme do 007 realizado pelo Almodóvar.


 5  Cavaco adverte contra "leitura truncada" de posição sobre saída limpa - O que Cavaco perde com o truncar ganha com o permutar.

 

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