Francisco Jaime Quesado 22 de outubro de 2007 às 13:59

Reflexões de um economista em tempo de congresso

Em tempo de Congresso, é o momento adequado para um Economista fazer as suas reflexões. Perante o impasse a que chegou o Velho Continente na incapacidade de operacionalizar a Agenda de Lisboa e de marcar um ritmo positivo de competitividade e desenvolvime

Dinamizado o Plano Tecnológico, assumidas as prioridades dum “Novo Paradigma” de Desenvolvimento para o país, a aposta numa “Agenda de Mudança” torna-se prioritária. Ou seja. Uma Mensagem para um Congresso voltado para o Futuro.
  
Uma Nova Abordagem

Estamos perante uma nova dimensão na nossa abordagem europeia. Numa Europa a vinte e sete, com as dinâmicas económicas lideradas pela China e Índia potenciadoras de novas necessidades de equilíbrio macroglobal, nada pode ser igual. E Portugal tem que perceber e rapidamente internalizar na sua prática operativa esses sinais. Só sobrevive quem é capaz de ser competitivo e o salto da mudança coincide com um tempo de “reinvenção” do paradigma de estar, fazer parte e participar da “actividade europeia” com sentido de responsabilidade positiva permanente. Um acto de verdadeira “integração social moderna”, onde se faça do desenvolvimento cultural da sociedade o motor duma inovação tecnológica permanente na atitude dos “actores sociais” liderantes.

Trata-se de uma “agenda de excelência” para reforçar e consolidar a matriz de coesão nacional. É importante por isso perceber que a aposta nos Factores Dinâmicos de Competitividade, numa lógica territorialmente equilibrada e com opções estratégicas claramente assumidas é um contributo central para a correcção das graves assimetrias sociais e regionais que continuam a imperar. O “novo paradigma” dos Fundos Estruturais radica nesse sentido na capacidade de os resultados potenciados pela inovação e conhecimento serem capazes de induzir novas formas de integração social e territorial capazes de sustentar um equilíbrio global do sistema nacional.

O sucesso da utilização do novo pacote financeiro, correspondente ao período 2007/2013, é o desafio que deverá consolidar esta mudança de paradigma. A matriz dos novos compromissos que encerra, no quadro  da importância desta nova dimensão de “integração europeia” que se exige ao nosso país, faz apelo ao papel motriz que a excelência, na sua dimensão de diferenciação qualitativa e estruturante, terá que ter na qualificação dos actores, transformando-os, na linha de Peter Drucker, a quem todos devemos uma homenagem, em “verdadeiros actores do conhecimento em rede operacional permanente”.  Importa nestes termos dar corpo a uma Matriz de Novas Prioridades de Excelência Estratégica capazes de induzir um verdadeiro Compromisso de Coesão Nacional.

Crença na Mudança

Um país moderno tem que saber integrar de forma positiva os seus cidadãos. A coesão social faz-se pela participação construtiva e tem que haver uma atitude clara de mobilização para esse esforço nacional de convergência de actuação. A educação na escola tem que forçar a pedagogia e a prática da integração dos desfavorecidos, imigrantes, todos aqueles com défices operativos de participação; têm que ser dinamizadas “acções de demonstração” do apoio à vontade do contributo de todos. Um Programa para a Inclusão Social tem que saber “integrar de facto”. Está mais do que consolidada a mensagem da urgência da dimensão tecnológica na matriz de desenvolvimento nacional. Um Programa para a Competitividade tem que forçar dinâmicas efectivas de aposta na tecnologia, seja ao nível a concepção de ideias novas de serviços e produtos, seja ao nível da operacionalização de centros modernos rentáveis de produção, seja sobretudo ao nível da construção e participação activa em redes internacionais de comercialização e transacção de produtos e serviços.

Portugal tem uma oportunidade única de potenciar um novo paradigma de cidades médias, voltadas para a qualidade, a criatividade, a sustentabilidade ecológica. Verdadeiros centros de modernidade participativa, que façam esquecer a dinâmica asfixiante das “âncoras comerciais” que são os modernos shoppings que dominam o país. Um Programa Territorial para a Modernidade é vital para dar conteúdo estratégico à ocupação das cidades médias e à nova vontade de também saber apostar no interior. Portugal tem uma forte cultura alicerçada no potencial histórico da língua. É um activo único. Um Programa Intelectual da Cultura Portuguesa tem que saber dinamizar de facto nos grandes circuitos internacionais a aptência pela prática e consumo dos muitos “produtos culturais” nacionais disponíveis. A “cultura da língua portuguesa” tem que ajudar na criação de valor para o nosso país.

Tudo passa por no princípio e no fim saber estar e participar. Impõe-se para Portugal uma cultura de participação cívica activa positiva. É assim que se faz a riqueza da matriz europeia. É assim que se tem consolidar a actuação dos grandes objectivos para este novo ciclo de “integração europeia”.   

Em tempo de Congresso importa uma Matriz de Modernidade Participativa e Operativa para o país e claramente que a “Agenda de Mudança”, na sua modelação e estruturação em sede de definição de prioridades, deverá ter em conta. Ou seja. Não vale a pena potenciar uma “Agenda de Execução” dum Novo Pacote de Fundos Estruturais se os Actores que a operacionalização não tiverem em conta a importância decisiva destas prioridades. O “Novo Paradigma” dos Fundos Estruturais merece por isso pensamento estratégico mas sobretudo capacidade de monitorização sobre os efeitos da “aposta da excelência” no reforço da coesão nacional.

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