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James Charrington 17 de Dezembro de 2012 às 11:07

Restaurar a confiança dos investidores

Hoje em dia, praticamente todas as nações desenvolvidas sofrem com a relutância dos investidores e dos CEO em apostar em novos negócios, empregos ou ideias.

Hoje em dia, praticamente todas as nações desenvolvidas sofrem com a relutância dos investidores e dos CEO em apostar em novos negócios, empregos ou ideias. Os investidores adoptaram uma atitude de "esperar para ver" porque os mercados estão a esquecer-se de dois componentes essenciais: a confiança e a certeza.


Grandes e pequenos investidores estão furiosos e cínicos. Durante cinco anos, consumiram uma dieta praticamente diária de manchetes pronunciando desgraças. Acrescem ainda os sucessivos escândalos no sector financeiro que deixaram muitos investidores individuais a acreditar que os mercados estavam contra eles. Aqueles que se mantiveram no caminho, ao longo dos 10 anos, sofreram, em 2009, uma "década perdida", com um retorno total do índice MSCI Euro de zero durante todo esse período. Os investidores não vêem um consenso claro da parte dos governos para responder aos desafios orçamentais de longo prazo que as economias desenvolvidas enfrentam. O resultado é uma profunda incerteza acerca do caminho a seguir, uma falta de confiança nas instituições políticas e a paralisia nos mercados.

 

Esta vontade de ficar à margem até que regressem dias melhores está não apenas a inibir o crescimento económico, como também a agravar a crise silenciosa das poupanças inadequadas para a reforma. Essa crise é já uma realidade para os trabalhadores mais velhos, cujas economias desvalorizaram-se, assim como as suas casas. Muitos desses trabalhadores mais velhos devem agora procurar outras fontes de rendimento a longo prazo.


A não ser que sejamos capazes de educar os mais jovens para começarem, desde já, a poupar para a reforma, permitindo que os seus retornos aumentem ao longo de várias décadas, as lacunas das poupanças-reforma que a sociedade enfrenta irão ampliar-se. Por exemplo, alguém que hoje comece a trabalhar aos 22 anos, que consegue poupar dois mil euros por ano, pode acumular meio milhão de euros aos 62 anos, assumindo uma rentabilidade anual de 8%. Se esse mesmo trabalhador só começar a poupar para a reforma aos 32 anos, terá que juntar mais que o dobro por ano para alcançar o mesmo objectivo com a mesma taxa de remuneração.


Restaurar a confiança dos investidores começa por reconhecer que apesar dos enormes desafios, há sinais de vida nos mercados financeiros. Durante os últimos dois anos, os investidores de longo prazo beneficiaram da corrida aos títulos americanos. Há também motivo para algum optimismo cauteloso sobre o panorama económico global, incluindo acções para prevenir o colapso do euro; o contínuo, ainda que mais lento, crescimento da China e o início de uma recuperação do sector imobiliário dos EUA.


Mas não tenhamos ilusões: os mercados permanecerão voláteis. O impacto nunca visto do risco político sobre os mercados assegura-o. Esta volatilidade também cria oportunidades para investir a preços atraentes. Presentemente, os títulos europeus estão historicamente baratos, num rácio preço/lucro de 13, contra uma média de 18 obtida ao longo de 20 anos.


O progresso contínuo, no entanto, exige a intervenção tanto do sector financeiro como dos governos para restaurar a confiança e a certeza que faltam hoje em dia.
Nos serviços financeiros e sector bancário, devemos ser vistos como parte da solução para o que aflige os nossos mercados e não a causa. Isto requer um envolvimento construtivo com os reguladores sobre os mecanismos que, sem sufocar oportunidades de investimento, introduzam maior clareza para os investidores.


As empresas financeiras têm a responsabilidade de serem extremamente claras sobre como os seus interesses estão alinhados com os dos seus clientes, e devem ser transparentes sobre as taxas e os riscos associados aos produtos que vendem - desde instrumentos de investimento, como fundos mútuos, aos cartões de crédito e hipotecas.


A educação financeira e produtos de investimentos transparentes, fáceis de compreender e aplicar, podem permitir que os investidores capturem oportunidades de mercado e alcancem a rentabilidade que precisam para atingir os seus objectivos, mesmo num mundo complexo e desafiante. Isto vai, por um lado, ajudar a restaurar a confiança nos mercados e, por outro, auxiliar aqueles que ainda duvidam do futuro, a dar os primeiros passos para se tornarem investidores, uma vez mais.


Todavia, os investidores não conseguirão fazer tudo isto sozinhos. Os empresários e os nossos representantes políticos também precisam ter uma visão de longo prazo e restaurar a confiança no futuro na sua administração. Nada pesa mais sobre os mercados financeiros do que a indecisão.


No meu negócio, nós explicamos aos investidores que eles não podem economizar para o futuro, no futuro. Nessa altura será tarde demais. O instinto para preservarmos o que temos hoje é humano e poderoso, mas não vai construir o que precisamos para amanhã.

 

James Charrington é presidente BlackRock EMEA (Europa, Médio Oriente e África).


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