Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 02 de Julho de 2014 às 19:50

Revogar o insanável

Fez agora um ano que Vítor Gaspar saiu do Governo, inconformado com as birras de Paulo Portas e com as entorses orçamentais impostas pelo Constitucional.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 5
  • ...

 

Vinte e quatro horas depois, Paulo Portas apresentou a demissão irrevogável do Governo, aparentemente inconformado com a ascensão de Maria Luís, que pressentia ser um Gaspar de saias.

 

Um ano volvido, a troika está de saída, Maria Luís e Portas parecem dar-se lindamente (o agora vice-primeiro anuncia o menos mau, a ministra vem depois explicar o pior), a curva da recessão e do desemprego está lentamente a ser invertida, ao contrário da linha da dívida  que continuará a subir enquanto subsistirem défices e à medida que Bruxelas obrigue a revelar a que estava escondida, em especial em muita empresa pública. O défice de 2013 foi mais do que cumprido; o deste ano tem um ponto de interrogação mas sê-lo-á com grande probabilidade e, muito por conta do Constitucional e da intransigência da troika, o País (e Portas) teve já de tragar mais um anúncio de aumento da carga fiscal para tornar verossímil a meta de 2,5% para 2015: IVA e TSU serão agravados, em cima do tremendo aumento de impostos que vem de trás, para ajudar a financiar o sistema de pensões a partir do próximo ano.

 

Um ano volvido, os juros da dívida caíram para mínimos históricos insanos na casa dos 3,5%, o "factor Portas" continua a ser acompanhado de perto pelas consultoras de todo o mundo, e as agências de rating quase não mexeram uma palha: a notação da República é ainda lixo. E é lixo porque o grande risco de Portugal é a política - e lá fora sabe-se muito bem o que a nossa casa gasta.

 

Não obstante a demissão irrevogável de Portas ter sido relativamente sanada pela coragem e o sangue-frio do primeiro-ministro, a maturidade terá de voltar a prevalecer para que as insanáveis divergências de António Seguro possam ser também revogadas. 

 

Mais cedo ou mais tarde, o PS terá de livrar-se do "impulso juvenil de uns quantos" e do "serôdio sectarismo de muitos outros", assumir que "os portugueses sabem que a austeridade começou com os socialistas" e questionar-se: "por que estranha razão haveria o Partido Socialista de privilegiar entendimentos com partidos com quem nunca até hoje se entendeu devido a divergências doutrinárias profundas e haveria de excluir em absoluto acordos com partidos que, malgrado as profundas discordâncias presentes, não se situam em temas tão importantes como o tema europeu numa posição absolutamente oposta àquela que preconizamos?" Cavaco Silva reúne hoje o Conselho de Estado. Podia começar por citar Francisco Assis - o agora eurodeputado socialista, não o Santo. 

 

 

Redactora Principal

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias