Jorge Marrão
Jorge Marrão 29 de agosto de 2016 às 20:10

Rotativismo inconsequente

As denominadas elites perpetuam-se, acomodam-se, criticam e ofendem-se, "tertuliam", buscam jobs, buscam sobrevivência, mas não trazem significativamente nada de novo.

A FRASE...

 

"Como é que de repente se voltou a empregar a maldita palavra (resgate)?

O INE divulgou dados que apontam para uma estagnação do crescimento económico no segundo trimestre…"

 

André Veríssimo, Negócios 29 de Agosto de 2016

 

A ANÁLISE...

 

Temos salvação gloriosa desta ditosa pátria, e caminho virtuoso para algum lado? As instituições políticas e o regime funcionam de acordo com os seus calendários e rituais democráticos. A dificuldade do comum cidadão está em saber para quê. Os resultados económicos e sociais são parcos. Agora temos afetos, e Governo garantido das coisas. Todavia, não surgiu ainda coisa alguma pujante e mobilizadora para as empresas e cidadãos investirem no seu país. A novela política tem atores, capítulos, episódios, críticos e acólitos, mas não tem história condutora.

 

De onde pode vir a vontade e ideia reformista da sociedade? De Belém, de São Bento, da rua, da Europa, do aperto bancário, do défice e dívida públicas e ou do cerco dos credores? Das atuais instituições políticas e partidárias pouco devemos esperar, se lermos consciente e desapaixonadamente a história destes últimos anos. A digestão desta colossal crise ainda não se fez. Não temos um país reformista, mas um país conservador, à esquerda e direita. Estas divergências necessárias entre esquerda e direita não foram sinérgicas. Serviram apenas à criação de um rotativismo político democrático inconsequente para o crescimento do nosso nível de vida. As denominadas elites perpetuam-se, acomodam-se, criticam e ofendem-se, "tertuliam", buscam jobs, buscam sobrevivência, mas não trazem significativamente nada de novo. Lentamente estamos a depauperar e a empobrecer, agora não alegremente, mas com os afetos recompostos. Parece pouco. O conservador desperdiça o tempo que o reformismo precisa. A perda final será sempre maior.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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