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António Nogueira Leite - Economista 21 de Julho de 2020 às 09:45

Sair da cepa torta

Cumpridas quase duas décadas deste século e concluídas dezenas de diagnósticos sobre as razões da nossa estagnação deveria ser agora que, finalmente, se passasse à fase de realização, eliminando os constrangimentos que tantos já evidenciaram.

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A FRASE...

 

"Défice de qualificações da população adulta é o principal entrave ao crescimento da economia portuguesa"

CIP, 22 de outubro de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Ainda não sabemos quanto vai ser ao certo a perda de riqueza em 2020 mas é já quase consensual que provavelmente voltaremos aos níveis de 2015. Apesar da perda histórica que se estima para este ano, não é esta a informação que mais nos devia fazer pensar. Antes que, voltar a 2015 não é muito diferente de voltar a 2000. Ou seja, mais milhão menos milhão, não andaremos muito longe de voltar a ter uma economia de dimensão aproximada à que tínhamos no início do século.

 

Cumpridas quase duas décadas deste século e concluídas dezenas de diagnósticos sobre as razões da nossa estagnação deveria ser agora que, finalmente, se passasse à fase de realização, eliminando os constrangimentos que tantos já evidenciaram. Por maioria de razão, num momento em que se prepara a chegada dos muitos milhares de milhões - mais de 15 - do fundo de reconstrução da União Europeia. Se a concretização do "Plano Costa e Silva" não resolver os estrangulamentos que Portugal tem nomeadamente na qualificação da mão de obra e na educação, na melhoria do funcionamento do sistema de justiça, no governo das empresas e no funcionamento dos mercados de fatores, então teremos perdido uma oportunidade irrepetível de colocar Portugal na senda do crescimento duradouro e sustentável.

 

Temos, ainda por cima, a memória recente dos anos 2008-2011. Na sequência da crise financeira internacional de 2007/08, o país moveu, em linha com as orientações europeias, enormes recursos para investimento público - e privado com apoio e suporte público - sem melhorar as condições de funcionamento da economia e, consequentemente, o seu potencial de crescimento. Hoje as condições são diferentes e não se espera um salto incontrolável das responsabilidades financeiras do país, do Estado e das suas empresas públicas e privadas. O sistema financeiro funciona melhor e os bancos são geridos de modo muito mais profissional. Todavia, se não resolvermos os nossos estrangulamentos micro, mais cedo ou mais tarde, teremos as consequências macro dessa opção. E, obviamente, um afastamento cada vez maior do centro da Europa. Como diz o povo, não sairemos da cepa torta.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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