João Quadros
João Quadros 20 de maio de 2016 às 09:49

Sanções e Dalilas

Depois de alguns dias a desenterrar o papão nosso que estais no céu da Comissão Europeia, segundo as notícias, afina: "Bruxelas exige/impõe/quer mais medidas para reduzir défice e adia sanções até Julho."
Fui ler o relatório, e o que lá está escrito não é impõe, nem exige, é "recomenda vivamente", senhores jornalistas. Bem sei que já sabemos que a CE é como algumas mulheres - recomendar vivamente é pior do que ordenar porque vamos ter de o fazer, mas como se fosse por iniciativa própria.

Não conheço a posição do estimado leitor mas, pessoalmente, já tenho pouca paciência para este falso "suspense" da CE, muito induzido pela comunicação social. Se querem aterrorizar as pessoas, não podem estar sempre a usar a táctica: "Que susto!!! Mas afinal não era o assassino, era só um gato." Já entrei naquela fase, quando o polícia de trânsito me quer dar conselhos para o futuro, do: "Passe lá a multa, e menos conversa, ou arranco com o carro e quero que te lixes."

Esta notícia do adiamento das "presumíveis" sanções a Portugal para Julho confirma o completo disparate da ideia. Supostamente, poderia haver dois tipos de "sanção". Uma por não termos cumprido o défice em 2015 e outra por acharem que não estamos a fazer nada para o corrigir em 2016. A segunda hipótese de sanção parece-me bastante estapafúrdia. Sanções, agora, por práticas futuras... É muito esquisito. Não vai mais nenhum "minority report" com vodka para mesa da CE. Deixa ver se percebo a ideia. "Esta malta está a tomar uma trajectória que ainda se arrisca a não cumprir o défice, é melhor multá-los para contribuir para isso."

Quanto à sanção por não cumprimento do défice em 2015, está, desde já, posta de parte, uma vez que não acreditamos que a CE precise de esperar por Julho, para ver se o ano de 2015 ainda muda. Aliás, Moscovici afirmou que "o novo prazo para Portugal será 2016 e para Espanha 2017? O mais irónico é que os maiores responsáveis pelo incumprimento do défice são o indivíduo que, lá no seu âmago (e no seu partido no Parlamento Europeu - PPE pediu "força máxima" nas sanções a Portugal), quer sanções e os que nos querem sancionar. Passos não cumpriu o défice e a CE ajudou a que ele existisse (ver vida e morte de Banif ).

Para Moscovici, "este não é o bom momento político e económico para aplicar sanções a Portugal e Espanha." Exacto, para quê punir o Governo de 2015 quando se pode fazer chantagem com o de 2016 e com o eleitorado espanhol?

Na verdade, estas sanções dependem não dos números, mas dos governos. São uma forma de tirar a força. São Dalilas mascaradas de sanções.

top 5 Sanções 1. Marcelo "esperançado" com entendimento na educação - Marcelo quer um banco mau, uma UE fixe, umas escolas privadas bem com a vida, paz em Moçambique - é uma miss mundo com mais livros.

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3. Vasco Pulido Valente traz a sua coluna política para o Observador - Só se estraga uma casa.

4. Orientador e director do departamento da Universidade de Coimbra onde Tiago Brandão Rodrigues fez investigação confirmam versão do governante, depois de outro professor ter denunciado "burla" - Se isto do ministro da Educação pega, as escolas privadas ainda vão devolver o que receberam com contratos indevidos de associação.

5. Sérgio Figueiredo recusa que Santander seja fonte do rodapé da TVI - Claro, mas quem é que acredita em rodapés da TVI?!
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