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Se alguém falar de choque fiscal, isso é Álvaro

Nos últimos tempos, Álvaro, o ministro que antes de o ser já estava na tabela dos comentadores como renovável, tem protagonizado o antidiscurso. Tem falado da necessidade de se reduzir a fiscalidade para as empresas.

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Nos últimos tempos, Álvaro, o ministro que antes de o ser já estava na tabela dos comentadores como renovável, tem protagonizado o antidiscurso. Tem falado da necessidade de se reduzir a fiscalidade para as empresas. Chegou até a ser noticiada a possibilidade de haver uma taxa de IRC de 10% para promover o investimento. Álvaro Santos Pereira não se cansa de falar da competitividade fiscal e de enviar recados à Comissão Europeia para que essa descida de impostos seja aprovada. Diz-se contra a harmonização fiscal e favorável à concorrência dos Estados por via dos impostos.

Ontem voltou a pôr o assunto na agenda. Falou da necessidade da Europa aprovar um pacote de apoio fiscal e financeiro de Portugal ao investimento. Angela Merkel, que ontem esteve em Portugal durante cinco horas, não falou do choque fiscal, mas diz apoiar o país na criação de um banco de fomento.

Passou ao lado da questão fiscal. A Alemanha é um dos países que têm defendido a harmonização fiscal. Foi, por isso, assunto omitido.

Conseguirá Álvaro lutar contra os moinhos de vento? Angela Merkel veio a Portugal dizer que está disposta a ajudar: no banco de fomento, na formação profissional e na oferta educativa. Pediu aos seus empresários, também, para ajudarem. Mas nada disse sobre a fiscalidade.

Álvaro continua a pedir um choque fiscal. Estará a Europa disposta a concedê-lo? E, antes, estarão os seus colegas de Governo dispostos a lutar a favor de uma taxa de IRC mais baixa?

Neste momento, Álvaro Santos Pereira parece estar a lutar sozinho. Não há uma palavra sobre o tema dos seus colegas. E, por isso, esta pode bem ser a prova final para o ministro da Economia. Não conseguir mudar a fiscalidade para as empresas pode ser a estocada final que o fará regressar ao Canadá.

Álvaro Santos Pereira tem sido o resistente. Perante as críticas tem feito o seu trabalho. Tem um ministério grande. Com demasiados problemas e ainda é o ministro do desemprego. Não tem tido uma vida fácil. E agora atira-se para a competitividade fiscal.

As empresas aplaudirão. Têm-se queixado da pesada carga de impostos, taxas e afins. E é verdade. Apesar das vantagens que esta medida traria, há uma questão que ainda não foi respondida. Qual será o cheque fiscal deste choque fiscal? É que se as empresas já não aguentam mais, os particulares também não.

*Jornalista

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