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Se Krugman diz, a Esquerda devia ouvir

Paul Krugman disse ontem em Lisboa que se Portugal quiser ficar no Euro teremos de aceitar cortes substanciais nos salários.

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Paul Krugman disse ontem em Lisboa que se Portugal quiser ficar no Euro teremos de aceitar cortes substanciais nos salários. De quanto? Qualquer coisa entre 20 e 30% face aos salários alemães (com os quais os valores portugueses devem ser comparados).

O economista tem razão? Tem. E nem sequer se pode dizer que seja inovador: a lista de analistas, académicos e gente de bom senso que diz isto em Portugal, alguns há valentes anos (como Vitor Bento), é longa.

Significa isto que as palavras de Krugman são irrelevantes? De maneira nenhuma. O Prémio Nobel é uma dos pensadores estrangeiros mais reverenciados em Portugal, sobretudo pela Esquerda. Ouvi-lo dizer coisas destas, sem papas na língua, devia calar fundo nas consciências de quem anda por aí a dizer que o país tem alternativa à desvalorização salarial, apostando na melhoria da produtividade. Não tem (no curto prazo). Porque o ajustamento de que precisamos tem de ser rápido: em dois anos. Ora num período de tempo tão curto é impossível garantir ganhos de produtividade que propiciem um disparo das exportações. Foi por isso (para reduzir drasticamente as importações) que a Troika obrigou à redução acentuada dos nossos rendimentos.

Mas nem tudo são, contudo, más notícias: descontando os cortes salariais dos últimos 12 meses, para chegar aos valores de Krugman precisamos de (mais) 8 a dez pontos de cortes salariais. É duro? É. Como o próprio Krugman admitiu. Mas não há alternativa: os investidores acordaram e já não estão dispostos a emprestar-nos dinheiro para vivermos acima das posses (que é o significa ter défices da conta corrente equivalentes a 10% do PIB durante dez anos).


camilolourenco@gmail.com
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