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Paulo Carmona 07 de Abril de 2020 às 19:25

Sempre solidários

O nosso PM sabe e receia. Sem culpa numa recessão que normalmente derruba governos. Teve a sorte do turismo e o azar da covid. Talvez pudesse ter evitado a descida do IVA na restauração, contratar menos funcionários públicos ou não ter insistido na cara redução para as 35 h.

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A FRASE...

 

"Epidemia reforça governos, recessão ameaça derrubá-los." 

 

David Santiago, Negócios, 7 de abril de 2020

 

A ANÁLISE...

 

O Governo tem estado à altura do desafio representado pela covid-19. Reparos a haver são-no na velha questão da organização e coordenação dum Estado burocrático, rígido e salazarista.

 

Valha-nos o brio dos profissionais de saúde, extenuados e mal pagos que se têm agigantado nesta terrível missão. Bom seria que o Governo atrasasse os tristes aumentos à função pública, quando muitos perdem o emprego, e com essa poupança criasse um bónus de agradecimento ao fantástico trabalho que está a ser feito. Para não falar na gritante falta de meios, as afirmações de não necessidade de máscaras ou de testes massivos terão evitado o caos desordenado ou o sentimento de falta de apoio do Estado.

E o Governo tem estado bem e alto em popularidade, como quase todos os governos, talvez à exceção do espanhol. A questão, como bem sabem, está nos efeitos da crise na economia e nas finanças públicas. Um défice que tem potencial para criar mais 10% de dívida que, junto ao recuo do PIB, pode levar-nos a um rácio de 135%. Vai ter de ser paga, com a continuação da austeridade e do aperto fiscal numa economia ferida.

O nosso PM sabe e receia. Sem culpa numa recessão que normalmente derruba governos. Teve a sorte do turismo e o azar da covid. Talvez pudesse ter evitado a descida do IVA na restauração, contratar menos funcionários públicos ou não ter insistido na cara redução para as 35 h. Talvez lhe faça falta esse dinheiro e despesas fixas criadas. A ele e a nós…

Daí jogar tudo nas eurobonds e nos apelos à solidariedade. Apenas que os outros países, os tristes e poupados, não entendem o nosso desperdício de dinheiros num Estado disfuncional e em despesas sem sentido para eles. E que depois de 30 anos e 150 mil milhões de euros de fundos europeus, continuamos pobres, com o segundo salário médio mais baixo da Zona Euro. Podem até achar que tanta solidariedade é apenas dependência… e cansam-se. Porque o nosso modelo económico de empobrecimento se mantém.

Essas obrigações teriam de ser emitidas por um organismo supranacional, quase federal, e como tal, com uma capacidade mais intrusiva na gestão dos dinheiros públicos e organização dos estados que poucos agradeceriam. Talvez os povos do Sul agradecessem uma melhor gestão pública, os governos nem por isso.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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