Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 21 de fevereiro de 2018 às 21:46

Sentido de responsabilidade

Espera-se agora, que aqueles que foram escolhidos para dirigir sejam eficazes no seu trabalho. Fazer unidade não foi um capricho. Como já disse, tratou-se do cumprimento de uma obrigação. Oxalá todos sejam capazes de fazer o mesmo. 

Todos sabemos que Portugal precisa ainda de cuidados porque, mesmo com a recuperação que tem acontecido, a situação estrutural não está ainda resolvida. Temos muita dívida para pagar, muita riqueza para criar, muita produtividade para melhorar. Tudo isso exige, como sabemos, governos estáveis e políticas coerentes. Para haver estabilidade é essencial haver sentido de responsabilidade. Podemos dizer, sentido de responsabilidade exige-se sempre a quem tenha de tomar decisões pela causa pública. Só que há circunstâncias da vida em que o sentido de responsabilidade impõe mais contenção do que noutras. Por sua vez, a democracia é feita de partidos e os partidos têm de escolher de tempos a tempos os seus líderes e as suas estratégias. Foi isso que o PPD/PSD fez: dedicou três meses a escolher um líder e uma estratégia e depois mais um mês a preparar o Congresso. Para as eleições diretas, o sentido de responsabilidade ditou o dever de concorrer, de lutar, de disputar. No Congresso, o sentido de responsabilidade, depois da escolha feita, ditou o dever de unir.

 

Qualquer pessoa poderá compreender que, se tivesse sido outra a posição assumida, mais numa linha de confrontação, os resultados políticos teriam sido bem diferentes. Por mim, estou convencido de que teriam sido piores para aquelas que são as responsabilidades do PSD perante o país. Julgo que se poderá compreender que era tentador manter as diferenças e carregar nelas. Curiosamente, depois das diretas, poucos falaram num partido dividido ao meio. Mas com o resultado da votação não teria sido difícil explorar esse caminho, apostando em que a dificuldade da tarefa de quem foi eleito acabasse por tornar impossível o sucesso. A minha opção foi a contrária: em vez de explorar o caminho da divisão ao meio, ajudar a construir a convergência de um partido uno, ainda que plural; a recuperar e ajudar nesse sentido no êxito de quem foi escolhido pela maioria. Esse sentido de responsabilidade que guiou as opções de Rui Rio e as minhas é aquele que a generalidade dos militantes deve ter presente nos tempos que ai vêm. Falta cerca de um ano para começar a pré-campanha e elaboração de listas, quer para o Parlamento Europeu quer para as legislativas. No primeiro caso, faltará mesmo menos de um ano. Qualquer pessoa sabe que o partido socialista e António Costa levam neste momento vantagem. Mas também levavam em 2015 uns meses antes das legislativas.

 

A questão é de foco, de empenho, de atitude de consciência do que está em jogo. O partido dividido, quase por definição, em circunstâncias normais não tem hipótese de ganhar eleições. O partido dividido, quando tem de recuperar uma diferença considerável, ainda menos hipóteses tem. Por isso mesmo, é que a meu ver, a opção só podia ser a que foi tomada: a de fazer tudo para se unir o partido. Naturalmente, há sempre quem tenha nestas coisas uma visão mais destruidora ou mais egoísta e que prefira o quanto pior melhor. Nunca foi, não é e espero que nunca seja o meu caso. Espera-se agora, que aqueles que foram escolhidos para dirigir sejam eficazes no seu trabalho. Fazer unidade não foi um capricho. Como já disse, tratou-se do cumprimento de uma obrigação. Oxalá todos sejam capazes de fazer o mesmo. 

 

Advogado

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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