Paula Antunes da Costa
Paula Antunes da Costa 08 de setembro de 2019 às 19:13

Sistema de pagamentos. Um caso à parte na inovação em Portugal?

Apesar de ser norma comum nos países estrangeiros, novas tecnologias de pagamento como o Contactless ainda não atingem os níveis médios de utilização global por parte dos portugueses.

Portugal está a trabalhar bem em termos de inovação e hoje testemunhamos, em todo o país, empresas disruptivas em expansão, lançamentos de inovações nacionais e a abertura para investimentos internacionais de grandes empresas tecnológicas. Mais do que nunca, os portugueses têm à sua disposição uma ampla gama de tecnologias ou aplicações às quais aderem e que promovem o instantâneo e a conveniência, mas tal não parece ser o caso no setor dos pagamentos.

 

À medida que evoluímos para a simplificação dos pagamentos digitais e com o aparecimento de novas opções móveis, Portugal revela barreiras relativamente à aceitação de tecnologias como os pagamentos Contactless. Este método permite aos consumidores e comerciantes completarem rapidamente uma transação com o simples aproximar do cartão no terminal de pagamento evitando, por exemplo, o congestionamento de filas em serviços com elevada procura. Os pagamentos tornam-se mais rápidos dado que transações em dinheiro vivo podem demorar até 23 segundos, os pagamentos com introdução do cartão e PIN são cerca 10-20 segundos e os pagamentos Contactless podem ser realizados entre 4-12 segundos.

 

Contudo, apesar de ser norma comum nos países estrangeiros, novas tecnologias de pagamento como o Contactless ainda não atingem os níveis médios de utilização global por parte dos portugueses. Fora dos Estados Unidos da América, cerca de metade das transações Visa em pagamentos acontecem com recurso à tecnologia Contactless para pagamentos rápidos, seguros e simples com os seus cartões de débito e crédito. Uma vez introduzidos os cartões Contactless, a adoção do consumidor geralmente acontece rapidamente. Muitos mercados evoluem de uma taxa de penetração de um dígito para mais de 50% em apenas 18 a 24 meses.

 

A nível internacional, assistimos a elevados valores de penetração do Contactless como na Austrália (>90%), Reino Unido (>60%) ou Canadá (>50%). Na Polónia a taxa de aceitação encontra-se mesmo perto dos 100%. Em Portugal, a taxa é substancialmente inferior (<10%) ocupando o penúltimo lugar do ranking europeu, apenas à frente de Israel.

 

Ora, Portugal tem vindo a receber por ano uma média de 20 milhões de turistas. Apesar de a Visa ter detetado um aumento de 22% nas transações Contactless proveniente dos pagamentos efetuados pelos estrangeiros que visitam Portugal, esta comunidade debate-se com barreiras no nosso país como a aceitação de pagamentos através de marcas internacionais ou Contactless. Estes obstáculos significam que a generalidade dos estrangeiros recorre a pagamentos em dinheiro vivo, o que por vezes pode contribuir para a economia paralela. Tal não é vantajoso para a economia nacional, tendo em conta a importância que o setor do turismo representa atualmente.

 

Globalmente, o uso do Contactless é amplamente aceite em comerciantes de alto volume de transações com montantes médios-baixos: alimentos e mercearias, restaurantes de fast food, farmácias e transportes. A tendência é crescente em todos os setores, à medida que a utilização da tecnologia expande-se para pagamentos móveis, embora a um ritmo reduzido. Atualmente, 37% dos portugueses admitem utilizar o Contactless para efetuar transações, o que revela um crescimento de adoção face aos 29% apurados em 2017.

 

Já em 2017, os consumidores elogiavam a rapidez (70%) e a conveniência (40%) como os principais motivos para a escolha de pagamentos Contactless. Os supermercados (70%) e os grandes retalhistas (64%) são os locais ou estabelecimentos onde esta tecnologia é mais utilizada, embora os portugueses também desejem efetuar pagamentos Contactless em transportes públicos (41%), postos de abastecimento (38%), bares, cafés e restaurantes (34%) e parques de estacionamento e portagens (32%).

 

Os cartões Contactless são seguros pois contam com uma das menores taxas de fraude entre qualquer tipo de pagamento e nos países em que os pagamentos Contactless são amplamente utilizados, a fraude no ponto de venda permanece em baixos níveis históricos. Os cartões são construídos com a tecnologia EMV® Chip, que provou ser eficaz na redução de fraudes. Esta inovação permite fazer pagamentos de baixo valor - até €20 - sem ser necessário introduzir o código PIN. A partir desse valor e por questões de segurança, a transação tem PIN obrigatoriamente.

 

Se a segurança não constitui um problema, acredito sobretudo que no nosso país ainda temos muito que trabalhar na contextualização dos consumidores e comerciantes relativamente às soluções disponíveis em Portugal e no estrangeiro, quer seja de crédito ou débito. Esse é, no entanto, um processo educacional que deve ser percorrido em colaboração entre as diversas entidades do setor com partida para efeitos de maior taxa de aceitação e sinalização de novas tecnologias de débito e crédito como o Contactless.

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