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Tiago Violas Ferreira 24 de Novembro de 2016 às 21:05

Sobre a opacidade na OPA ao BPI

Nesta última assembleia-geral (AG) de acionistas do BPI, no magnífico cenário que é a Casa da Música no Porto, os cerca de 300 acionistas que atendemos à reunião fomos surpreendidos pelo pedido do CaixaBank de adiamento da votação da sua própria proposta.

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A proposta e ponto único da AG era a decisão da entrega do controlo do BFA à Unitel.

 

A justificação do CaixaBank foi aguardar ainda a confirmação formal do Banco Central Europeu de que esta solução é suficiente para resolver o problema da exposição excessiva a Angola.

 

Porém quando interrogado sobre as dúvidas do CaixaBank e o que aconteceria em caso de resposta negativa do BCE, o presidente da comissão executiva apressou-se a dizer que em todos os contactos mantidos entre o BPI e o BCE, lhes foi garantido que este formato responde a todas as suas exigências, embora não haja ainda uma confirmação escrita formal, o que se aguarda.

 

E assim terminou a AG, mais ou menos no ponto onde começou. Os sentimentos de frustração e incompreensão estou certo que não seriam só meus ao sair da Casa da Música na quarta-feira.

 

Voltei então a ler a carta de 20 de setembro de 2016 do BPI para a Unitel e verifiquei que a proposta da venda dos 2% que controlam o BFA tem "como pressuposto que a Unitel, em conjunto com o BFA e o Banco BPI, fará todos os esforços (…) para que seja recebido (…) pelo Banco BPI, até ao dia 9 de dezembro (…) 66 M €" de dividendos de 2014 e 2015 e mais 30 M dólares correspondentes à última tranche da venda inicial de 2008.

 

Pode ser, e é até bastante provável, que a verdadeira razão do adiamento desta AG para o próximo dia 13 de dezembro de 2016 seja aguardar pela confirmação do pagamento destes montantes ao BPI.

 

Não obstante permanecem várias questões sem resposta.

 

O que acontecerá se o Banco Nacional de Angola não der a permissão necessária e obrigatória para a saída destes cerca de 100 milhões de euros de Angola e estes não entrarem nos cofres do BPI até ao dia 9 de dezembro de 2016?

 

Poderá o CaixaBank chumbar então este negócio em assembleia-geral, inviabilizando a solução "absolutamente fundamental" encontrada com o BCE, aproveitando-se da viabilização da desblindagem dos estatutos do BPI pelos acionistas angolanos na assembleia-geral de 21 de setembro último?

 

Será  verosímil que os acionistas angolanos se exporiam a perder tanto valor nas ações do BPI por si detidas ao oferecerem o controlo do BPI ao CaixaBank, sem outra contrapartida que não o parco preço oferecido em OPA?

 

Será que a inexplicável linha de crédito que o CaixaBank concedeu à República de Angola de 400 M€ em agosto poderá finalmente ter aqui a sua explicação?

 

Tudo isto é tão opaco, até (e sobretudo) para os acionistas do BPI debaixo de OPA que é indispensável um esclarecimento cabal por parte das entidades competentes.

 

Administrador da Holding Violas Ferreira

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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