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Sou elogiado, logo existo

José Sócrates, já se descortinava, não se comove com lágrimas. Só há uma coisa que o torna uma Floribella arrependida: um elogio. Sócrates sente que o PS actual é um exército de técnicos perfeitos na arte da graxa, mas quem gosta de ser elogiado, como ele

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Portugal é um mercado de vénias: há incondicionais do "sim", que se prestam a tudo fazer, desde que isso reverta a seu favor num futuro próximo. Sócrates gosta de se ouvir e de que todos repitam o que disse, como um coro juvenil. Mas quando escuta isso da boca de um estrangeiro, o primeiro-ministro entra nas portas do seu céu privado: uma sala de espelhos que reflectem a sua imagem e músicas de elevador que evocam a pureza das suas convicções. Sócrates ficou estarrecido quando Nicolas Sarkozy mostrou que ele era um exemplo para o queria fazer em França. E se o elogio fosse um eucalipto tudo teria ficado seco à sua volta quando soube que era considerado o "Tony Blair português". Sócrates sonha que um elogio é meio caminho andado para a verdade. Para se ser elogiado com qualidade há que ter os amigos bem colocados. É isso que garante, aos olhos de Sócrates, a veracidade dos elogios recebidos. Uma coisa é ser elogiado por Armando Vara ou por Pina Moura. Outra é sê-lo por um qualquer militante do PS de Carrazeda de Ansiães. Sócrates gosta de elogios ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. Por isso convive tão mal com a crítica "de sarjeta". Bom mesmo é o elogio "de conserva". Porque ao ser elogiado, existe.
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