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Opinião
Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 30 de Agosto de 2012 às 23:30

Temos para dez anos!

António Borges diz que a economia pode voltar a crescer já em 2013. É verdade: a correcção de alguns desequilíbrios macroeconómicos está a ser rápida e isso facilita o regresso ao crescimento em moldes mais sustentáveis do que nos últimos dez anos (onde a procura interna fez de motor, à custa de défices da conta corrente). A questão é saber quanto vai crescer o PIB: 1%? 2%? 4%?

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Antes de mais convém dizer que não há razão para Portugal não regressar a taxas de crescimento da ordem dos 4%. Basta "apenas" que se liberte a economia dos entraves que a têm condicionado. Só que é muito difícil fazer isso em menos de uma década. Porquê? Por causa da dificuldade em fazer mudanças estruturais de forma célere em Portugal: a dívida pública, por exemplo, dificilmente cairá abaixo de 90% do PIB numa década; e a despesa do Estado, em percentagem do Produto, também não descerá abaixo de 45%.

É verdade que algumas reformas estão a ser feitas (v.g lei laboral), mas, mesmo nesses casos, não com a profundidade desejável. Veja-se os "avisos" da Troika para Portugal baixar o custo das indemnizações por despedimento e para distanciar o subsídio de desemprego do salário mínimo, que têm caído em saco roto por receio de contestação social e desvinculação do PS relativamente ao programa de ajustamento.

Bem vistas as coisas, temos pela frente um calvário de 10 anos de reformas, sem as quais não teremos investimento a sério, nomeadamente estrangeiro (e sem as quais o desemprego nunca regressará abaixo de 10%). Resta saber como é que vamos fazer tudo isto com ciclos eleitorais pelo meio e com uma provável "denúncia" do programa de ajustamento por parte do PS...


camilolourenco@gmail.com
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