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Tento na língua

Há quem hoje considere que as dúvidas não são para ser convencidas nem vencidas. Basta serem silenciadas. O drama é que o debate político nacional já atingiu um nível tal de dislate que o silêncio forçado poderia ser a melhor medida terapêutica...

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Há quem hoje considere que as dúvidas não são para ser convencidas nem vencidas. Basta serem silenciadas. O drama é que o debate político nacional já atingiu um nível tal de dislate que o silêncio forçado poderia ser a melhor medida terapêutica para o caso. É claro que há excepções. O PSD está demasiado ocupado a discutir consigo próprio e, por isso, é difícil que nos próximos tempos tenha tento na língua. O deputado José Eduardo Martins, de resto, já começou o seu curso acelerado sobre ideologia. Como não há ideias, usam-se palavrões. No PS, o caso é mais complicado. Enquanto Freud não decide se Manuel Alegre é do PS, deputado independente, futuro candidato a PR ou, simplesmente, um cata-vento, o alarido instalou-se. O PS está a fazer o debate de ideias na praça pública que não fez no Congresso. O PS está a tornar-se numa aldeia da roupa branca. Mas ainda não reparou nisso. Há quem compare o nível actual do debate com o parlamentarismo monárquico, mas a comparação não é possível. Ali, os oradores, mesmo quando insultavam, tinham nível. O estilo poderia incluir o insulto, para resolver à sobremesa com um duelo. Mas existiam insultos elegantes. Hoje são insultos graves sem classe. A classe política está ao nível das peixeiras quando se desentendiam no Bolhão. Penso que o insulto elegante faz falta ao debate político. Porque na sopa da pedra da política indígena há cada vez mais subordinados e cada vez menos tribunos. Não têm ideias para defender. Só insultam ou malham. Sinal da nossa pobreza.
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