João Quadros
João Quadros 03 de outubro de 2014 às 10:15

Tira, tira, tira!

Depois das explicações do PM sobre o caso Tecnoforma, receber dinheiro por trabalhar quase passou a ser falta de educação e egoísmo.

 

Depois das explicações do PM sobre o caso Tecnoforma, receber dinheiro por trabalhar quase passou a ser falta de educação e egoísmo. Uma pessoa até se sente mal por, ao fim do mês, ir receber o ordenado.


Confesso que não fiquei totalmente esclarecido com a narrativa do PM. E tenho a certeza que não ia convencer metade dos fiscais de impostos que nos infernizam a existência. Por natureza, sou desconfiado e faz-me confusão que um indivíduo que, há uns dias, não se recordava se recebia, ou não, 5.000 euros por mês há 15 anos, se recorda hoje que até foi a Cabo Verde e lhe pagaram a viagem. Só se aquilo em Cabo Verde foi inesquecível, o que eu entendo porque já lá estive. Custa um bocado a acreditar na versão "eu vou daqui até Cabo Verde, trabalhar com aquele calor, e vocês pagam a viagem e as saladas". Passos devia ter aparecido no Parlamento com uma t-shirt a dizer: "Trabalhei para a Tecnoforma 3 anos e tudo o que recebi foi esta lousy t-shirt."


Há muita coisa mal explicada, o único facto de que não temos dúvidas é que o nosso PM não pediu exclusividade porque era só mais 10% de ordenado, mas perdia os 15% de aumento por ser líder de bancada (que não era acumulável com outro benefício). Ou seja, sacava mais 5% assim. Depois, quando chegou ao fim, disse que afinal não tinha pedido exclusividade mas podia ter pedido, e sacou os 60 mil de subsídio de integração, que era o bónus para quem tinha estado em exclusividade. Muito bom. Ele sempre foi especialista em lixar o Estado. O remediado Estado.


Quanto mais dizem que o caso está resolvido, mais parece que ele aumenta de tamanho - fazia falta um strip, mas o PM não quer mostrar as ceroulas. Depois das respostas do PM, apareceu o advogado da Tecnoforma a dar uma conferência de imprensa, onde avisou que ia processar um membro do Governo. A minha dúvida é se este advogado da Tecnoforma fez aquela conferência gratuitamente. Se assim foi, temos aqui um padrão, que importa destacar.


A seguir à conferência de imprensa, que se seguiu aos esclarecimentos de Passos, vieram as declarações de Cavaco que, tal como no BES, veio garantir que as respostas do PM eram sólidas. Claro que começou por dizer que lhe tinham dito. Cavaco já não arrisca um comentário sem ter primeiro um bode expiatório. Vai acabar a fazer os roteiros recorrendo ao "ouvi no elevador", "disseram-me no cabeleireiro" e "vi na rádio".


Mas ainda não tinha acabado. Depois do PM ter dito que apenas recebeu dinheiro de trabalhos jornalísticos nos anos de 97, 98, 99, e ter escrito que parte desse dinheiro vinha de trabalhos para o Público, a direcção do Público veio dizer que, nesse anos, Passos não fez nada no jornal. Portanto, Passos não recebe dinheiro dos sítios onde trabalha e recebe dinheiro dos sítios onde não trabalhou. É formidável.


Começo a desconfiar que não há um documento, deste senhor, que esteja em condições. Se calhar, nem o BI é verdadeiro. Chama-se Heinz Passos e nasceu em Berlim em 62. A esta hora, o ouro do Banco de Portugal são tijolos com tinta para dourar santas que o Relvas arranjou. O Relvas anda muito sossegado, é melhor ir lá ver.

 

 

______________________________ 

 

TOP 5
Despesas de deslocação


1 "CNN: Suspect in the Oklahoma beheading case tells police he felt oppressed at work over not getting a raise" - chega dos EUA o melhor argumento a favor do aumento do ordenado mínimo.


2 Morais Sarmento diz-se chocado: como é que era possível alguém liderar o PS e ter esta representatividade que tinha Seguro. E a liderar o Governo?!


3 Praias terão nova sinalética que alerta para riscos do mar - Atenção Praia com Dux.


4 "Défice fica nos 4,8%" - Défice de 4% mais despesas de representação.


5 Seguro demite-se do Conselho de Estado - conselho de estado é para misturar política e negócios, ele não ia lá fazer nada.

 

pub

Marketing Automation certified by E-GOI