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Opinião
Ricardo Domingos rdomingos1@gmail.com 25 de Outubro de 2004 às 13:59

Tirar à Bolsa para encher o bolso

Se olhar para a primeira página deste jornal, verificará que há empresas na Bolsa com comportamentos tão interessantes como os que se verificavam nos bons e não tão velhos tempos da euforia da Internet, com valorizações desde o início do ano entre os 16%

No entanto, o PSI-20 cresce uns meros 10% no mesmo período. Podia aferir-se que as descidas de umas compensam as valorizações de outras. Mas não é isso que acontece. A explicação encontra-se nos volumes negociados e no capital disperso das empresas – são estes os factores que determinam o peso de cada cotada nos índices. É por isso que apenas quatro empresas (PT, BCP, EDP, Brisa) representam cerca de 60% do PSI-20.

A falta de volume / dimensão das empresas é o principal problema da Bolsa. Os agentes do mercado conhecem-no e têm sido bastante criativos para contorná-lo – com a aparente excepção do Governo. Algumas empresas e corretoras já anunciaram o recurso a «market makers» para aumentar a sua liquidez. A Euronext, que gere a Bolsa, apresentou uma reestruturação onde prevê uma melhor arrumação das empresas, segundo a sua dimensão. A CMVM, que regula a indústria, tem promovido uma maior colocação de instrumentos no mercado e um melhor conhecimento das cotadas por parte dos investidores. Mas estes pequenos passos não são, per si, suficientes.

Porque numa altura em que uns remam na mesma direcção, vem a mão pesada do Estado tirar o que antes tinha dado. De uma só penada, o OE elimina os benefícios fiscais nos planos de poupança e ameaça liquidar fundos de pensões de empresas públicas - onde pontifica o da CGD. Ironicamente, o Governo mostra que precisa do mercado de capitais. Mas ao fazê-lo, subtrai-lhe investidores. A Bolsa, para o Estado, existe. Mas só enquanto «bolsa» para equilibrar as contas públicas.

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