David Bernardo
David Bernardo 29 de agosto de 2016 às 19:44

Transformação digital pessoal

A transformação digital é, na atualidade, uma das preocupações das empresas "tradicionais" sob a ameaça da sua extinção. No entanto, há uma pergunta importante que a maioria das pessoas não faz. Como é que eu, enquanto pessoa e profissional, me vou adaptar às mudanças dos próximos anos. 

Numa época em que se estima que 40 a 60% dos trabalhos irão desaparecer nos próximos 15 anos e ser substituídos por máquinas, o que é que está a fazer pelo seu futuro para não se tornar obsoleto. Está na hora de pensar na transformação digital pessoal. 

 

Qual é a profissão mais popular nos Estados Unidos? Condutor de camião. Em 2020 a maioria dos fabricantes de automóveis irão ter veículos com piloto automático. Em Abril deste ano, uma frota de camiões atravessou a Europa com piloto automático. A Uber inicia este mês o serviço em veículos sem condutor. Há profissões que claramente irão desaparecer no futuro, como tem acontecido ao longo da história. Tem sentido estudar línguas e ser tradutor quando a tradução simultânea já é uma realidade? Estas mudanças sempre aconteceram, a grande diferença é a velocidade com que estão a acontecer.

 

Existem competências que vão ser mais difíceis de serem substituídas por máquinas. Componentes de análise de dados e lógica, são fundamentais na educação de todos para que entendamos as máquinas e ao mesmo tempo temos de ser bons naquilo que elas vão demorar mais tempo a melhorar, como é o caso de criatividade, relações interpessoais, etc.  

 

O que fazer? Um dos pontos críticos é a educação, com duas vertentes: (1) alterar o modelo educativo das novas gerações e (2) apostar na nossa educação pessoal contínua. 

 

1. A educação vai ter de ser repensada, continuamos com o modelo educativo de há 50 anos. A segmentação dos alunos por idade (entram todos para a escola ao mesmo tempo), terá de ser substituída pela personalização (cada um aprende ao seu ritmo e da forma mais adequada a si). Temos de ensinar os alunos a pensar, entender o problema, recolher informação, estruturar e analisar os dados e tomar decisões sobre eles. 

 

2. A educação é um processo contínuo ao longo da vida. "A ideia de que frequentei a universidade há 20 anos e a partir daí não estudei mais" não funciona, a experiência obtida no dia a dia poderá não ser o suficiente para se manter atualizado. Cursos online, leitura, fórum são ferramentas ao alcance de todos. Voltamos ao darwinismo, quem sobrevive não é o mais forte, mas o que tiver maior capacidade de se adaptar e evoluir. 

 

Não sou contra a tecnologia. O mundo tem hoje muito mais oportunidades e abertura do que alguma vez se verificou no passado. No entanto o impacto social da tecnologia na sociedade é tão grande que não pode ser ignorado ou subestimado. Como se controla um país com 40% de desemprego? Mas nem tudo tem de ser negativo. Com as máquinas a substituírem o trabalho humano e a gerar-se mais riqueza podemos ter uma sociedade melhor. É o caso da Noruega, que graças à riqueza proveniente do petróleo tem uma das sociedades com melhor qualidade de vida do mundo.

 

Voltando ao que de se deve focar agora, a sua transformação digital pessoal. Ficam algumas perguntas: como espera que vai mudar a sua profissão? Como está a preparar-se para essa mudança? e para os que têm filhos, como está a prepará-los e aconselhá-los para o que vem? Não há soluções ou receitas seguras, mas ignorar o problema não será certamente a melhor atitude.

 

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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