Inês Patrício
Inês Patrício 11 de março de 2018 às 18:46

Um mercado corrigido ou ainda por emendar?

Após um ano insólito, no qual as bolsas internacionais atingiram recordes históricos estimulados pelas reduzidas taxas de juro em vigor, 2018 apresenta-se como um ano cada vez mais ansioso para os mercados financeiros.

Significa isto que, passado um mês da mais recente queda nas bolsas mundiais, perduram ainda excessivas questões por clarificar. Inúmeros debates têm sido levados a cabo, relativamente ao alvoroço vivido na semana negra de 5 a 9 de Fevereiro.

Certamente se torna difícil descurar a correção mais substancial executada nos últimos dois anos, na qual a bolsa de valores americana caiu, sensivelmente, 10% numa única semana. Simultaneamente, aliam-se a esta situação os mais elevados níveis de volatilidade, registados através do índice VIX desde a desvalorização da moeda chinesa em 2015, provando assim a instabilidade presente nos mercados, resultante das elevadas vigentes avaliações de ativos.

 

Importa ainda salientar o volume de obrigações transacionado na mesma semana, as quais incorporavam não só os elevados riscos de inflação correntes, como também a mais recente elogiada reforma tributária de Trump. Por conseguinte, tal comportamento por parte do mercado bolsista gerou uma inevitável onda de temores sob os investidores, levando a que estes se debruçassem a recalcular o atual nível de perigo existente - um procedimento que prudentemente deveria ter sido materializado no momento em que a Reserva Federal dos Estados Unidos suspendeu a injeção de liquidez na economia.

 

Em virtude da política monetária implementada posteriormente à crise, ainda hoje está presente uma enorme quantidade de liquidez sob os diversos agentes económicos, os quais se alarmam com o gradual acréscimo nas taxas de juro e expectativas inflacionistas. De igual modo, também as eleições em Itália, as incertezas pairadas sob o governo alemão e as práticas monetárias adotadas na Zona Euro constituíram e, esperam vir a constituir, motivos de agitação nos mercados acionistas. Entre outros, as praças europeias foram das mais penalizadas no seguimento do último mês, nomeadamente o PSI-20 que recuou cerca de 4,6%.

 

Numa realidade em que o risco geopolítico permanece como um dos maiores receios para as empresas e investidores, impulsionado por eventos relacionados com o lançamento de mísseis da Coreia do Norte, negociações sobre o Brexit e a crise Catalã, Portugal reúne todas as condições necessárias para integrar oportunidades seguras para os mais aficionados da bolsa de valores. Não obstante, veteranos de Wall Street, nomeadamente Art Cashin, sugerem que subsistem ainda incontáveis meios que, num futuro que se avizinha, encaminharão a economia global até às baixas testemunhadas em Fevereiro. Ainda assim, opiniões adjacentes da diretora do FMI, Christine Lagarde, visam as "boas-vindas" a outras correções da mesma natureza.

 

Em suma, não se pense que as correções efetuadas na bolsa em Fevereiro compõem meramente uma emenda. Pelo contrário, a turbulência nos mercados estabeleceu uma ameaça que perdura sob perigo iminente, pelo que numerosos fundos e gestores serão obrigados a reajustar a sua exposição a ativos de maior incerteza. Com efeito, permanece por saber se as correções empregadas edificaram somente a ponta do icebergue ou se posteriores retificações estão ainda por desabar. Os desenlaces políticos e o otimismo financeiro o dirão.

 

Membro da Nova Investment Club

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentários mais recentes
Alentejano 12.03.2018

sem falar que muita gente absteu-se de se reformar quando caiu a crise em 2008 e ainda hoje esperam recuperar o investimento ou assim que o recuperarem saem da bolsa depositam em depósitos À ordem e vão-se reformar e gozar a vida os babyboomers chegaram à reforma agora é comprar uma casa ao sol

Alentejano 12.03.2018

A cada actualização das taxas de juros irá haver um momento como este! Muitos investidores não foram talhados para para mercados de alta volatilidade e irão sair conforme os investimentos mais seguros se forem tornando mais rentáveis, à gente que só quer ganhar 1% ao ano sobre a inflação e saem.

pub