Fernando  Sobral
Fernando Sobral 02 de abril de 2018 às 20:20

Um novo passo para a CPLP

A CPLP fez, ao longo dos anos, um importante trabalho de coordenação e integração de uma comunidade dispersa pelo mundo e que tem como grande denominador comum uma língua que é das mais faladas no planeta. 

A língua pareceu ser, desde o início, o cimento maior dos países da CPLP. E foi, de resto, à sua volta que se tentou formar uma comunidade de Estados que estavam dispersos da Europa à África, às Américas e à Ásia. Independentemente dos interesses divergentes e de nem sempre ser perceptível uma estratégia clara de futuro, a CPLP fez, ao longo dos anos, um importante trabalho de coordenação e integração de uma comunidade dispersa pelo mundo e que tem como grande denominador comum uma língua que é das mais faladas no planeta e que tem motivado interesse de outros países (veja-se o estudo do português na China, ou o interesse em toda a Ásia). Agora parece que estamos a assistir ao início de uma nova fase em que o peso da língua está aliado a uma lógica mais económica e comercial, tendo em conta a dimensão do mercado dos países da CPLP. Recentemente foi a Coreia do Sul que mostrou interesse em ter o estatuto de observador junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o que demonstra o potencial económico da organização sem que o idioma seja a prioridade central, como disse há dias em Londres a secretária-geral da organização, Maria do Carmo Silveira. A Coreia do Sul é o segundo país asiático a aproximar-se de um mercado com 270 milhões de pessoas depois do Japão, que já possui o estatuto de observador associado, tal como o Senegal, Namíbia, Turquia, República Checa, Uruguai, Geórgia, Eslováquia, Ilhas Maurícias e Hungria. Maria do Carmo Silveira disse que Itália, Costa do Marfim, Andorra, Argentina e Chile têm os processos bastante avançados, estando previsto que a sua aprovação seja abordada na próxima cimeira do Sal, em Cabo Verde, que está marcada para 17 e 18 de Julho.

 

Num seminário no Instituto Real de Relações Internacionais, em Londres, a dirigente são-tomense, que está no cargo há 15 meses, referiu que a CPLP se deve adaptar às "profundas alterações na conjuntura política e económica interna dos Estados-membros e significativas transformações no modo de funcionamento das economias mundiais". Mais: "Para os países-membros africanos, a CPLP não deve continuar centrada apenas na língua portuguesa como há 20 anos. O critério exclusivamente linguístico deixou de ter sentido. Outras organizações já existentes com base nesse critério adaptaram-se e alteraram a sua composição e os seus objectivos estratégicos." Maria do Carmo Silveira adiantou que o potencial da CPLP está sobretudo na cooperação económica e empresarial, mas lembrou que a decisão para reformular a organização criada em 1996 depende dos dirigentes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Uma nova era parece estar a começar.

 

Egipto: uma eleição sem história

 

Foi uma eleição presidencial sem história. A reeleição de Abdel Fatah al-Sisi com uma votação próxima dos 90% de aprovação não admirou ninguém. Com a oposição calada, e os eventuais opositores afastados, al-Sisi só poderia ganhar. O sistema ganhou, como é típico. Recorde-se que nas primeiras eleições mais ou menos livres no Egipto, em 2012, um ano após a revolução da praça Tahrir, Mohamed Morsi da Irmandade Muçulmana venceu por larga margem. Acabava-se assim com o regime de Hosni Mubarak. Mas por pouco tempo. Tudo mudou no Egipto desde então: Mubarak foi solto em 2017 e Morsi está atrás das grades, depois de ter sido derrubado num golpe de Estado militar dirigido pelo general al-Sisi. Este tinha sido escolhido para chefe das Forças Armadas por Morsi, mas era conhecido pela sua ligação à Arábia Saudita. O derrube de Morsi levou a que a Irmandade Muçulmana tivesse quase sido varrida do Médio Oriente e isso teve influência na Síria, onde a base da revolta contra Bashar al-Assad era fomentada pela Irmandade Muçulmana. Assim esta oposição desintegrou-se entre grupos radicais ligados à Al-Qaeda (a al-Nusra) e ao Daesh, e outros a grupos anti-Assad. Depois da crise do cerco ao Qatar, levado a cabo pela Arábia Saudita, Egipto e Emirados Árabes Unidos, com o apoio dos EUA, sobretudo por Doha apoiar a Irmandade Muçulmana, Trump, o rei Saudita Salman e al-Sisi acertaram a luta contra o "extremismo" e a venda de 110 biliões e dólares de armas americanas a Riade. Foi um movimento contra o Qatar, o Irão e também a Turquia. A vitória de al-Sisi enquadra-se na nova estratégia americana: apostar em pseudo-eleições, ganhas por "moderados" (que servem os interesses americanos e sauditas). A vitória de al-Sisi é um descanso para Washington.

 

Angola: empréstimo chinês

 

O governo de Angola está a negociar com a China a concessão de empréstimos estimados em 953 mil milhões de kwanzas (4,4 mil milhões de dólares) durante o ano de 2018 segundo o Plano Anual de Endividamento (PAE). O valor dos empréstimos a serem concedidos pela China representam mais de metade dos empréstimos globais a serem contraídos por Angola em 2018 e que se cifram em 1,556 biliões de kwanzas (7,2 mil milhões de dólares). O Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) irá emprestar 653 mil milhões de kwanzas (3 mil milhões de dólares) e o Eximbank da China emprestará 140 mil milhões de kwanzas (650 milhões de dólares). O PAE refere que os empréstimos serão maioritariamente para os sectores da energia, águas, construção e defesa. Um outro empréstimo de 160 mil milhões de kwanzas (743 milhões de dólares) a ser concedido pelo ICBC e construído por empresas chinesas será destinado ao projecto de construção da barragem, de Caculo Cabaça, no rio Kwanza e que será a maior de Angola.

 

Omã: menos produção de petróleo

 

Nos últimos dois anos, a oscilação dos preços do petróleo levou a que a OPEP tenha decidido cortar a produção como forma de evitar o deslizamento ainda mais acentuado do seu valor. Uma série de países que não pertencem à OPEP decidiram participar nesse esforço, limitando o fosso entre oferta e a procura. O sultanato de Omã foi um que integraram esse acordo. Vai cortar 45 mil barris por dia, isto é, 4,5% comparado com Outubro de 2016. O preço médio dos contratos de futuros para o petróleo de Omã em 2017 foi de 51.29 dólares. O preço mais alto foi de 55.59 dólares em Dezembro de 2017.

 

China/Brasil: Fosun quer mais

 

O grupo chinês Fosun está a analisar a possível aquisição de activos brasileiros nos sectores de saúde, entretenimento e financeiro, neste último caso sobretudo na área de risco empresarial. O grupo chinês investiu 440 milhões de reais num edifício de escritórios em São Paulo, a Torre Sucupira, e comprou participações na Rio Bravo Investimentos e na Guide Investimentos, e agora pretende adquirir a actividade seguradora do Grupo Austral, sendo a ideia separar a parte de seguros dos resseguros e ficar apenas com a primeira. O grupo chinês terá igualmente analisado activos como a Notredame Intermédica (operadora de planos de saúde e proprietária de 18 hospitais), o Complexo Hospitalar Aliança, da Bahia, e empresas no sector da construção civil. O português Diogo Castro e Silva, director da Fosun no Brasil, disse ao Estado de São Paulo que o processo de investimento é muito selectivo, havendo um orçamento global e o "país que tem melhor activo ganha."

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