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Raul Vaz 09 de Março de 2007 às 13:59

Um ano de Cavaco

O assombroso mundo da política permite transformações fantásticas. Todas, ou quase todas, previsíveis, embora algumas surpreendentes na forma como se operam. Cavaco é Presidente há um ano, cumpre-se hoje. Dele, em campanha, foi dito que seria o artífice d

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Dele, em Belém, já foi dito o contrário. Ou seja, um bom Presidente. E o que é que mudou para que num curto espaço de tempo a mesma mente tenha dito uma coisa e o seu contrário? Apenas um resultado eleitoral. A história tem importância para quem tem de gerir as expectativas da opinião pública. No caso, Cavaco, a quem não deixarão de ser assacadas responsabilidades se a cooperação estratégica falhar na produção de resultados. E é neste contexto que o Presidente não pode correr o risco de, da mesma forma que se interiorizou a sua relevância para a superação da crise, se enquiste a ideia de que a cumplicidade com o Governo esconde um interesse político-eleitoral. Não pode deixar que a exigência de resultados fique como um simples registo calendário. Quando foi de uma simplicidade cristalina: ou Sócrates esquecia os constrangimentos do ciclo eleitoral ou deixaria de contar com o conforto da cooperação estratégica. E o que é que mudou em dois meses? Sócrates ganhou o referendo e prepara-se para legislar desprezando o consenso pedido por Cavaco; já se percebeu que a reforma da administração pública será doce e longa; surgiram entretanto eleições na Madeira para entreter a malta. Tudo, ou quase tudo, como Sócrates parece desenhar. Pois também parece que Cavaco não pode chegar ao fim do ano com o mesmo discurso. A não ser que comece a dizer aos portugueses que também ele se enganou. Como acontece no assombroso mundo da política.
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