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Opinião

Um excitante problema de xadrez

A OPA do BCP sobre o BPI é uma questão de sobrevivência. Da mesma forma que o será uma eventual contra OPA do BPI. Ou ainda, que no actual quadro, o BES tenha de fazer uma jogada, para não ser engolido por esta voracidade de concentrações.

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A OPA do BCP sobre o BPI é pois um início de um excitante jogo de xadrez. Neste momento, o banco liderado por Paulo Teixeira Pinto fez um xeque-mate a Fernando Ulrich, mas nada impede que venha a perder a partida por afogamento do «rei».

Esta é uma OPA pura e, como tal, nenhum dos participantes - voluntários ou involuntários - pode estar à espera que o Governo favoreça uma das partes. O tabuleiro está livre de impedimentos. O BCP fez o primeiro movimento, que sendo audaz, o coloca numa situação de vulnerabilidade. Os bancos espanhóis, La Caixa - accionista do BPI, e o BBVA, sempre mostraram interesse em reforçar a sua presença em Portugal. E o presidente do BBVA chegou mesmo a queixar-se, junto do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, de estar a ser impedido de crescer no nosso país. O Sabadell, accionista do BCP, poderá ficar na expectativa, mas o BES terá forçosamente de se mexer. Teoricamente, o banco de Ricardo Salgado tem três hipóteses:  - avança para uma OPA alternativa, entrando em competição directa com o BCP; alia-se ao BPI na montagem de uma contra OPA; ou procura no estrangeiro um aliado forte para se precaver de ataques predadores. Tudo o que não passe por aqui transformará o BES num alvo fácil e não há centro de decisão nacional que lhe valha.

Colocando as peças em perspectiva, o BCP posicionou-se como a «rainha», o BPI é o «rei» em xeque e o BES, que não foi convidado para este tabuleiro, tem que rapidamente assumir o estatuto de «bispo», procurando a diagonal mais favorável. Sem esquecer os bancos estrangeiros, para os quais está reservado o importante estatuto de «torres» ou «cavalos».

Mais do que o ataque da Sonae à PT, esta OPA do BCP sobre o BPI é um problema de estratégia estimulante e de desfecho imprevisível. Sem «jogadas de bastidores» que possam influenciar decisivamente o curso dos acontecimentos, esta OPA promete muito «suspense» e vai, certamente, entrar nos manuais académicos.

Por mim, confesso, aguardo com especial «voyeurismo» as movimentações do BES.

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