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Um mistério português

Em Portugal existem muitas coisas incompreensíveis. Por exemplo,muitas vezes fala-se alegremente de modernização e pratica-se eficazmente a conservação de tudo o que cheira a mofo.

É o princípio do conceito «um país, duas políticas» aplicado a terras lusitanas. O caso da existência de Governadores Civis, se não fosse um mistério digno de Nero Wolfe, era uma alucinação perfeita. No século XXI eles continuam a existir como Gremlins disfarçados de comissários políticos do Governo. Como se estivéssemos no século XIX. É certo que, neste país, há coisas que demoram uma eternidade a mudar, mas os Governadores Civis são verdadeiras múmias: nenhum Governo os consegue, ou quer, remover.

Como forma de modernizar e flexibilizar a acção administrativa não era uma boa ideia varrê-los para o lixo? Quando foram criados os Governadores Civis eram importantes porque o poder central português não conseguia controlar a rua do Alecrim e quanto mais a província... A estabilidade política, no meio de sucessivas guerras civis, necessitava da longa mão do Estado central. Mas, com o tempo, os Governadores Civis são medalhas de bom comportamento político. Colocadas num corpo que só empata.

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