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Sergio Trigo Paz 30 de Setembro de 2013 às 09:38

Uma abordagem temática à dívida de mercados emergentes (Parte I)

O universo da dívida de mercados emergentes tornou-se mais amplo, particularmente no espaço de dívida local, para investidores dispostos a afectar as obrigações fora do índice de referência e a moeda com vários níveis de liquidez e acessibilidade.

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"Os investidores temáticos procuram identificar tendências nos preços dos activos impulsionadas por mudanças nos princípios, políticas ou regulamentos."

 

Este é um período particularmente difícil para os investidores de dívida de mercados emergentes (ME) e não apenas pelo dramático sell-off desta primavera. Mesmo antes dos investidores começarem a desfazer-se de posições na expectativa de taxas mais elevadas no mundo desenvolvido, as oportunidades para aqueles que chegaram mais cedo à classe de activos tornaram-se mais escassas e as abordagens mais tradicionais top-down e bottom-up tornaram-se menos eficazes.


Enquanto as abordagens mais tradicionais poderão recuperar alguma força com a estabilização dos mercados, os investidores podem também querer considerar uma abordagem temática para a dívida de ME. Ao invés de simplesmente adoptarem posições de overweight ou underweight em determinados países ou instrumentos, os investidores temáticos procuram identificar tendências nos preços dos activos impulsionadas por mudanças nos princípios, políticas ou regulamentos, ou uma combinação dos três. Estas tendências podem ser idiossincráticas e específicas a uma determinada empresa ou país, ou podem ser originárias nos países desenvolvidos, abrangendo, assim, uma série de mercados e activos.


Os investidores temáticos não são imunes às deslocações em mercados turbulentos. As altas correlações, em particular, podem ser um desafio. No entanto, ao detectar e agir sobre as tendências, estas podem transformar a turbulência num benefício. E, dada a rápida expansão do universo de dívida de ME nos últimos anos - mais moedas, mais regulação, mais emissores e mais tipos de investidores - não há falta de temas que merecem ser trabalhados, independentemente das condições de mercado.


Temas decorrentes da expansão do mercado
Devido a um mercado em expansão nos últimos anos, tornou-se também mais fácil expressar um ponto de vista relacionado com a dívida de mercados emergentes. A liquidez tem melhorado de forma constante, assim como aumentou o conjunto de activos e investidores. Entre 2008 e o final de 2012, a capitalização bolsista dos principais referenciais da dívida de ME mais do que duplicou, passando de 1,27 biliões de dólares para 2,73 biliões de dólares (ver figura 1). Em valores recentes, a dívida local de ME é o equivalente a cerca de 70% do tamanho do mercado de investment grade dos EUA. O universo da dívida de mercados emergentes também se tornou mais amplo, particularmente no espaço de dívida local, para investidores dispostos a afectar as obrigações fora do índice de referência (off-benchmark) e a moeda com vários níveis de liquidez e acessibilidade (aproximadamente 9 biliões de dólares em títulos locais de ME não capturados por referenciais).


Estes mercados também estão menos especulativos do que no passado. Em 2007, apenas cerca de 40% das emissões no J.P. Morgan Emerging Markets Bond Index (EMBI) foram investment grade. Hoje, cerca de 60% do índice é investment grade e uma proporção cada vez menor não é classificada (ver figura 2). Além disso, cerca de 90% da dívida local de ME é agora de investment grade.


Neste cenário, muitas tendências podem-se desenrolar. Um tema recente emergiu de uma antecipada divergência de política monetária entre países do G10. Nos últimos anos, muitos investidores têm financiado a sua exposição à dívida de ME denominada em moeda local através de posições curtas sobre o dólar americano, enfraquecido por fases sucessivas de restritividade quantitativa (QE). No entanto, mais recentemente, a perspectiva de um dólar mais forte obrigou os investidores a procurar outro local para as suas moedas de financiamento.


A primeira etapa de uma abordagem temática para capitalizar nessa mudança seria rever os princípios macro e monetários em países relevantes, culminando num conjunto de pontos de vista onde as moedas podem fortalecer e onde são susceptíveis de enfraquecer. Um investidor temático pode então trocar de posições curtas em dólares para posições curtas sobre as moedas que eles esperam que enfraqueçam - por exemplo, o euro, a libra esterlina ou o iene. O investidor poderá aumentar este cenário ao inverter a anterior posição curta do dólar e indo mais longe no dólar.


Uma outra maneira de jogar este tema seria tentar identificar quais os países emergentes mais propensos a seguir a Reserva Federal na restritividade da política monetária. Um investidor temático compraria as moedas dos países onde se espera um aumento das taxas e venderia as moedas dos países que deverão diminuir ou manter taxas baixas.

 


Head of BlackRock's emerging markets fixed income team


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