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Uma privatização em directo

Foi completamente inédito ver um ministro anunciar em directo nos jornais televisivos a venda de uma empresa pública. Com este Governo tudo é possível, dir-me-ão.

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Parece que sim, mas eu gostava de terminar o ano com um artigo de opinião positivo. Mas quando vi a forma «triste» que Paulo Portas, o ministro da Defesa, encontrou para anunciar o vencedor da compra de 65% da Ogma, fiquei com o tema do artigo resolvido.

Paulo Portas não me deixou alternativas. As redacções tinham de ter as televisões sintonizadas. Os portugueses também. Tal como os trabalhadores da Ogma ... e se calhar os próprios candidatos.

A encenação foi completa. As televisões foram chamadas ao Ministério da Defesa para a partir das 20 horas puderem, em directo, pôr no ar Paulo Portas a anunciar com um sorriso rasgado que tinha cumprido o «timing» de vender a Ogma até ao final do ano. Esqueceu-se de dizer que a assunção do passivo pelo Estado assim o obrigava.

Com isto Paulo Portas aproveitou para «brilhar» e não ser bombardeado com perguntas incómodas. O tempo em televisão é precioso. Ele sabe-o bem, pois muito do que anunciou no seu mandato foi mesmo – coincidentemente – a tempo dos telejornais.

Acontece que aqui trata-se de vender 65% do capital da Ogma, onde muita coisa tinha de ser dita: com que garantias ficou o Estado português, que contrapartidas foram garantidas à Ogma e à restante indústria de defesa nacional, qual o papel da TAP no processo, que projecto para as Ogma defende o consórcio Embraer / EADS, eminentemente civil, onde fica a componente militar da Ogma, quantos postos de trabalho são salvaguardados, que internacionalização é garantida?

Algumas questões foram, é certo, respondidas num extenso comunicado do Ministério (que chegou às redacções de madrugada, horas depois do anúncio televisivo), mas outras ... pode ser que sejam respondidas noutro telejornal.

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