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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 28 de Dezembro de 2007 às 16:41

Uns vão bem e outros mal

Para o Governo, 2007 termina melhor do que começou. Depois da trapalhada da licenciatura, que minou a credibilidade do primeiro-ministro, os seis meses da Presidência Europeia permitiram-lhe fechar em glória e inverter alguns sinais de declínio.

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Para o Governo, 2007 termina melhor do que começou. Depois da trapalhada da licenciatura, que minou a credibilidade do primeiro-ministro, os seis meses da Presidência Europeia permitiram-lhe fechar em glória e inverter alguns sinais de declínio.

Mas parece que os portugueses são relativamente indiferentes ao sucesso da liderança política europeia e, depois da passagem de testemunho e de umas merecidas férias, Sócrates tem de cair na real. Da grande política para a politicazinha doméstica, acredita-se que a queda será abrupta e pouco agradável. É a síndrome pós-presidência europeia. Já Cavaco e Guterres se deram mal com ela. Depois de experimentarem a arena mundial, é duro o regresso à terrinha.

A acreditar na mensagem de Natal, Sócrates vive num oásis. O défice nos 3%, o crescimento nos 2%, os números das Novas Oportunidades.

As estatísticas valem o que valem e o primeiro-ministro sabe que apesar dos indicadores conhecidos, a confiança está em baixo. Apesar de tudo, não tão em baixo quanto reclama a Oposição, como ficou evidente com os números dos SMS enviados no Natal ou dos levantamentos nos Multibanco.

No regresso à pátria, José Sócrates vai confrontar-se com as suas indefinições. Fazer ou não fazer a remodelação, avançar ou não avançar com a reforma da administração pública, decidir entre a Ota e Alcochete. 2008, que é o último ano completo da actual legislatura, vai ser o ano da verdade. Também será o ano da verdade para Luís Filipe Menezes demonstrar que pode ser uma alternativa credível. O período de estágio como líder do PSD está a esgotar-se.

Alexandre Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, gosta de relatar um episódio da sua experiência recente. Num congresso internacional na Florida que reuniu os grandes operadores da distribuição, deu consigo a reparar num pormenor surpreendente. Durante a reunião, ninguém falou do Governo. Num evento do mesmo género em Portugal, não se falaria de outra coisa.

A dependência do Estado é tal que mesmo nos negócios entre privados é o Governo quem tem a palavra final. Veja-se o desfecho de dois casos que marcaram 2007. A Sonae perdeu a corrida à PT, batida pela coligação do grupo Espírito Santo e do Estado, representado pela Caixa Geral de Depósitos. E é também a Caixa Geral de Depósitos que acaba por fornecer literalmente a solução para a gestão do BCP, cedendo ao concorrente o presidente e uma parte da sua administração.

A Sonae perdeu a PT mas teve "prémio", que não tardou a considerar insuficiente. O "spin off" da PTM concretizou a reclamada separação do cobre do cabo. Paulo Azevedo é agora candidato a uma posição relevante na Multimedia. Veremos se terá mais sucesso como presidente da Sonae SGPS do que enquanto presidente da Sonaecom, sendo certo que vai ter de negociar com a mesma coligação que o derrotou na OPA.

O outro caso ainda incompleto é o do BCP. Mesmo com uma nova equipa de gestão, continuam em aberto os processos a correr nos reguladores e no Ministério Público, dos quais se exigem decisões claras. A solução para o BCP é como uma manta pequena em que para a tapar a cabeça ficam os pés de fora. A nova administração do BCP obriga o Governo a encontrar um novo rosto para a Caixa, que reúna competência e independência, com o PSD a reclamar justamente mas de forma atabalhoada o regresso à alternância com o governador do Banco de Portugal.

2007 saiu melhor do que a encomenda. Houve animação e não faltaram golpes de teatro, golpes baixos e desenlaces surpreendentes. Como na popular cantiga, "assim vai Portugal, Uns vão bem e outros mal".

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