António Moita
António Moita 15 de abril de 2018 às 20:00

Vamos ficar todos Adalberto

As "posições conjuntas" já lá vão e o modelo caminha rapidamente para o esgotamento. As discussões sobre as prioridades da política orçamental iriam acontecer mais tarde ou mais cedo.

Todos tínhamos consciência de que quanto mais perto estivéssemos do momento eleitoral mais se iriam acentuar as diferenças entre as forças da geringonça.

 

Tenho do ministro Adalberto Campos Fernandes a ideia de pessoa competente e séria. Foi agora escolhido como alvo de todos os combates políticos, tenham eles a ver, ou não, com o setor da saúde em particular ou com os serviços públicos em geral. E provavelmente será, de todos, o que terá menos culpa em tudo o que se está a passar.

 

Neste momento, apenas uma coisa parece interessar. Manter as aparências. António Costa fará de conta que quer continuar "casado" com a sua esquerda para sempre, Centeno está agrilhoado à condição de presidente do Eurogrupo e tudo o que vier a dar com a mão esquerda tirará com a direita, Catarina Martins e Jerónimo Sousa disputarão o lugar de saber quem melhor cantará os amanhãs.

 

Isto significa que o valor do défice não irá ser diferente das metas traçadas, o dinheiro para o investimento público continuará a não aparecer, os serviços públicos continuarão a definhar, as cativações serão as que forem necessárias, as carreiras continuarão congeladas e a frente polar fria não nos deixará antes de pelo menos 2021 isto a fazer fé no Plano de Estabilidade.

 

Vai ser um ano de reivindicação constante. No Parlamento, estará uma oposição ruidosa e um Governo em campanha eleitoral rumo à maioria absoluta. Nas ruas, teremos os sindicatos em luta depois de terem finalmente descoberto que andaram a ser enganados nos últimos dois anos. Na televisão e nos jornais, teremos o aproveitamento de situações demonstrativas da absoluta incapacidade do Estado em garantir as nossas necessidades básicas. Mas o povo não quer mais desgraças e continuará a achar que "para pior já basta assim".

 

A vontade de vencer em 2019 irá sobrepor-se a qualquer preocupação com o interesse nacional. Sem olhar a meios. E nós, amáveis e fiéis contribuintes, ficaremos como o Adalberto. A saber que quase tudo vai mal, mas sem ter forma de mudar coisa nenhuma.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico
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