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João Quadros 22 de Setembro de 2016 às 18:55

Very important classe media

Tudo começou com uma declaração da deputada bloquista Mariana Mortágua, que antecipou os 500 mil euros como possível base de incidência de um imposto sobre o património.

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De imediato, os líderes da oposição vieram alertar a população que este imposto sobre o património, que o Governo quer criar, era "um ataque e um saque à classe média", segundo palavras de Assunção Cristas e de José Gomes Ferreira.

No PSD, Jorge Moreira da Silva veio dizer que Mariana Mortágua era a ministra das Finanças, e eu não o vou desmentir, mas também posso apostar que, quando sair de ministra, a Mortágua não vai para a Arrow Global, FMI ou Goldman.

Duarte Marques veio alertar para a "tentativa em curso de sovietização do país", e Montenegro para o "novo PREC". Isto só se justifica por correr o boato de que estas pessoas têm todas de ir pagar este imposto ao Campo Pequeno.

Na minha opinião, para a classe média portuguesa andar a nadar em meio milhão as raspadinhas, devem estar a dar imensos prémios. Com a declaração da Assunção Cristas, de que portugueses com património de mais de meio milhão são classe média, deixei de ser, oficialmente, beto.

Nunca pensei que houvesse tantos portugueses com mais de meio milhão de euros de património, excluindo casa de família. A minha ideia era que a maioria dos portugueses, todos juntos, não têm um milhão de património. Acho que estas contas que a direita está a fazer, de que há imensa gente de classe média com mais de meio milhão, partem da ideia de que os portugueses são todos banqueiros. O que, verdade seja dita, é verdade. Somos donos da maioria dos bancos do nosso país. Tudo bem que ganhas, em média, uns 800 euros por mês, mas és dono do Novo Banco, não podes estar assim tão mal.

Segundo os números apresentados ontem, "contribuintes com propriedades de valor patrimonial acima de 500 mil euros são 43.888. E com o valor de um milhão de euros, o número passa a 8.618. Oito mil e tal contribuintes com um milhão em património. Portanto, a nossa "classe média" está em vias de extinção. Até o Vaticano tem mais classe média que nós e não se reproduz. Com números destes, estou convencido de que, se houver manifestação contra o imposto sobre o património, a frase que mais vezes se vai ouvir é: "Olá, Tia. Já não a via desde a manif. das escola privadas."

Na verdade, isto equivale a 1% dos contribuintes de IRS. 1%, olhando para o número parece que acertaram na "mouche", tem que ser mais do que mera coincidência. Talvez por isso, em relação ao imposto de que a oposição se queixa e chora, penso que não há nada como citar um famoso banqueiro de classe média – "ai aguenta, aguenta". 

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