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André Veríssimo averissimo@negocios.pt 07 de Abril de 2017 às 00:01

Lesados do Novo Banco

Um dos aspectos polémicos da solução encontrada pelo Governo para o Novo Banco é a troca de obrigações. Depois dos lesados do BES, parece que vamos ter os lesados do Novo Banco.

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A resolução do BES tornou-se uma sucessão de "bail-ins". Dos accionistas e alguns credores, logo em 2014. Depois, em Dezembro de 2015, alguns grandes investidores em obrigações perderam dois mil milhões para capitalizar o Novo Banco. Conheciam o risco, mas a discriminação entre poupados e atingidos manchou a imagem de Portugal nos mercados.

O próprio ministro das Finanças argumenta que a venda do Novo Banco foi penalizada por essa decisão tomada pelo Banco de Portugal no Inverno de 2015. Curioso é que Mário Centeno tenha vindo fazer algo do género.


A venda do Novo Banco à Lone Star pressupõe a injecção de 1.500 milhões de euros em capital, dois terços pelo fundo americano e um terço através da troca de obrigações. São 500 milhões de euros que implicarão perdas para os investidores. Os títulos, no valor de 3,4 mil milhões, estão maioritariamente na mão de institucionais, e alguns deles terão sido adquiridos já depois da resolução. Mas entre 30% a 40% pertencem a pequenos investidores, que os compraram, na sua maioria, quando ainda havia BES. É preciso salientar que sem esta segunda parte o negócio não avança. E que sem ela Bruxelas teria sido mais exigente nos cortes a impor ao Novo Banco.

A operação é voluntária, dizem as Finanças. Se considerarmos que a opção que é dada a estes obrigacionistas é aceitarem a perda que vier a ser imposta ou perderem tudo numa nova resolução do Novo Banco... tem muito pouco de voluntária. É mesmo à força.


A partilha dos custos é um bom princípio, mas a opção tem consequências. A primeira foi o corte do "rating" do Novo Banco pela Moody’s para o oitavo nível de "lixo", com a possibilidade de a classificação cair ainda mais. Depois, se todos os obrigacionistas forem envolvidos, os pequenos investidores são apanhados e teremos novos lesados, agora do Novo Banco, mesmo que com perdas não tão substanciais. Quais? Não sabemos. O que é inaceitável.

Neste momento há milhares de investidores que não sabem se vão sofrer perdas, e, sofrendo-as, que dimensão elas terão. Não sabem tão-pouco quando é que virão a saber. Estas coisas anunciam-se com toda a informação. Passou uma semana e nada.  


A credibilidade junto dos investidores é um activo que a Portugal interessa valorizar. E não é a destratar investidores que vamos lá. 

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