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André Veríssimo averissimo@negocios.pt 02 de Junho de 2014 às 10:30

O problema do baixo risco

Olhe-se para qualquer mercado, e a volatilidade está em níveis historicamente baixos. Sem risco, o potencial de retorno é muito baixo.

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Olhe-se para qualquer mercado, e a volatilidade está em níveis historicamente baixos. Sem risco, o potencial de retorno é muito baixo. Um pesadelo para bancos e gestoras de activos. Mas este é um desafio também para os pequenos investidores.


A volatilidade mede a amplitude das subidas e descidas no valor dos activos. Seja no mercado cambial, seja nas obrigações, seja no petróleo ou nas acções, os preços têm vindo a oscilar numa faixa cada vez mais estreita.


A baixa volatilidade significa que os investidores estão a assumir que o preço dos activos no curto a médio prazo vai estar, com grande probabilidade, em níveis próximos dos actuais. Crença que resulta da ausência de riscos macroeconómicos ou políticos relevantes, da sustentação do preço dos activos proporcionada pela liquidez injectada pelos principais bancos centrais e de não existirem receios inflacionistas.


Esta nova normalidade é uma dor de cabeça para os bancos de investimento, cujos lucros de negociação e receitas de corretagem têm vindo a cair. O que obrigou a despedimentos e mesmo ao encerramento de unidades. "O motor da nossa actividade é a volatilidade. Se os mercados não mexem, os nossos clientes não têm necessidade de transaccionar", lamentava-se a semana passada o presidente do Goldman Sachs, Gary Cohn.


A crença na estabilidade significa que os investidores sentem menor necessidade de comprar instrumentos financeiros para cobrir as suas apostas (seja de subida ou queda dos preços), como as opções. É essa menor procura por opções que leva a que o índice Vix, que é um indicador da volatilidade do S&P500, esteja próximo de mínimos históricos.


Neste ambiente, a tentação é assumir mais risco. A volatilidade do Banif (e dos restantes bancos) explica porque é uma acção tão popular na Bolsa de Lisboa. A intervenção dos bancos centrais deverá assegurar a manutenção do actual "statu quo" . Mas alguns analistas consideram que está a instalar-se uma preocupante complacência entre os investidores, face aos riscos que pode representar, por exemplo, o arrefecimento da economia chinesa. E lembram que este ambiente não durará para sempre: a volatilidade tenderá a reverter para a média histórica. Como avisa Nassim Taleb, autor do célebre "Cisne Negro": "Não confundir a ausência de volatilidade com estabilidade. Nunca". 

 

 

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