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André Veríssimo - Diretor averissimo@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2014 às 09:21

Um sem fim de comissões

Um aumento aqui. Outro ali. Uma comissão que não se pagava, mas que se insinua em letras pequenas no extracto bancário. Nos últimos anos tem sido assim. Aumentos, muitos acima da inflação.

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Um aumento aqui. Outro ali. Uma comissão que não se pagava, mas que se insinua em letras pequenas no extracto bancário. Nos últimos anos tem sido assim. Aumentos, muitos acima da inflação.


O aumento das comissões foi a forma encontrada pelos bancos para minorar a perda de receita na margem financeira. Com o aumento dos seus próprios custos de financiamento, e perante as taxas de juro em mínimos históricos, o negócio da concessão de crédito viu a sua rentabilidade deteriorada. As contas de 2013 mostram que foram cobrados 2,5 mil milhões de euros em comissões (incluindo negócios no estrangeiro) a particulares e empresas, quase o mesmo que em 2012. Isto apesar da quebra na actividade bancária.


Há desde comissões de várias dezenas de euros por um só papel. A custos de poucos euros, mas que pingam todos os meses. Uma das formas encontradas pela banca para abrir a torneira foi mexer nos intervalos do saldo médio que determina a comissão cobrada pela gestão da conta. Para se pagar menos ou ficar isento é preciso ter cada vez mais dinheiro.


Outra comissão que não mata, mas mói, é a do processamento do crédito da casa, que os bancos, salvo raras excepções, têm vindo paulatinamente a subir. Mas se há excepções, não basta o cliente descontente mudar para elas? Basta. Desde que não esteja a pagar um crédito da casa, como acontece com a maioria dos portugueses.


Quem paga um empréstimo pela casa, sabe que se mudar de banco vai pagar o dobro pelo "spread". E perder a única coisa que nos últimos dois anos favoreceu o seu rendimento disponível. Amarrado à casa, resta-lhe aguentar o embate das comissões. Sinal de que a concorrência está, por estes dias, em suspenso no sector. Realidade a que o Banco de Portugal e a Autoridade da Concorrência continuam a fechar os olhos.


É justo reconhecer que os bancos também disponibilizam ferramentas que permitem poupar em algumas comissões. As contas ordenado isentam o pagamento de custos de manutenção, no banco em que se recebe o vencimento. Alguns pacotes "cliente frequente", destinados a premiar a fidelidade, também permitem poupanças.


Mas há aumentos a que, na maioria dos casos, não se consegue fugir. Os da anuidade e emissão do cartão de débito são um exemplo. Razão porque, podendo mudar de banco ou estando ainda a decidir por qual optar, vale a pena olhar para os preçários e perceber qual a instituição mais barata, tendo em conta o perfil de utilização que se vai fazer. O Negócios dá uma ajuda, no tema de capa desta edição do Investidor Privado.

 

 

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