Celso  Filipe
Celso Filipe 27 de março de 2018 às 23:00

Ganância ou prudência

As criptomoedas são virtuais, mas o seu risco é bem real. É verdade que este tipo de investimento tem proporcionado boas rentabilidades a quem apostou nelas, mas é indubitável que se constituem como uma bolha que pode rebentar a qualquer momento com consequências graves.

Nos últimos meses, têm-se multiplicado os alertas sobre as criptomoedas. Do Banco Central Europeu ao insuspeito Goldman Sachs, passando por Nouriel Roubini, todos têm avisado para o facto de serem activos muito arriscados, havendo mesmo quem diga que se trata de um "esquema Ponzi".

Na terça-feira, surgiram novos sinais de inquietação. O Twitter seguiu o Facebook e a Google, comunicando a decisão de que vai proibir publicidade com conteúdos relacionados com as criptomoedas.

Ontem, também a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA), que já no início de Fevereiro tinha alertado para o "elevado risco" das criptomoedas, anunciou novas medidas relativas ao fornecimento de contratos diferenciais (CFD) e opções binárias, destinadas a proteger os investidores de retalho de instrumentos classificados como "complexos e com falta de transparência", leia­-se bitcoins.

Estas medidas defensivas fazem sentido, atendendo à elevada volatilidade das criptomoedas e o facto de não serem reguladas pelos bancos centrais. O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, já veio a público defender que se crie regulação neste domínio, adiantando que se está a trabalhar a nível europeu sobre as linhas directoras contra o branqueamento de capital com o objectivo de que os gestores de casas de câmbio e de bolsas de dinheiro electrónicas controlem os seus clientes da mesma forma que outros institutos financeiros.

Obviamente, é impossível proibir as criptomoedas. Aceitando esta evidência é possível fazer pressão para que sejam tomadas medidas destinadas a mitigar eventuais danos. Por um lado, é necessário aprofundar a regulação sobre este tipo de transacções e, por outro, importa que os bancos informem os seus clientes dos riscos e que eles próprios se previnam. Em paralelo, é necessário continuar a lançar alertas aos investidores sobre os riscos associados a este tipo de produtos de natureza inconstante. Para que fique registado: a informação nunca é demais e a ganância costuma, geralmente, sobrepor-se à prudência.

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