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O Montepio fica no fim

José Félix Morgado disse ontem adeus à presidência executiva da caixa económica Montepio, na qual será substituído por Carlos Tavares. O antigo líder da CMVM acumulará as funções de “chairman” com as de presidente executivo, sendo que ao fim de seis meses ficará apenas no primeiro cargo.

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Pelo caminho ficou Nuno Mota Pinto, apontado como o primeiro candidato ao lugar de Félix Morgado, o qual acabou por tropeçar numa história de incumprimento de um crédito, motivo por que entrou na lista de devedores do Banco de Portugal.

Não era segredo para ninguém que a associação mutualista Montepio, liderada por Tomás Correia, estava há muito desavinda com a gestão da caixa económica Montepio, comandada por Félix Morgado. Neste quadro, o desfecho da história era previsível, acabando na saída deste último.

Antes disso, as partes foram trocando argumentos através dos jornais, a cobro de um anonimato, manifestamente insuficiente para esconder as origens dos mesmos.

Ontem, na hora da despedida, numa mensagem aos trabalhadores, Félix Morgado deu a cara às críticas. Diz que sai do Montepio por não ter cedido a "interesses" (nas entrelinhas pode ler-se associação mutualista e Tomás Correia). Elogia o Banco de Portugal, sempre "bastante presente na instituição" e omite a associação mutualista. "Saio porque fui fiel aos meus princípios éticos e profissionais, sem ceder a interesses que não sejam os da instituição e dos trabalhadores. Teria sido mais fácil acomodar pedidos ou ceder a promessas", sublinha o ex-presidente executivo da instituição. Mas há mais nesta mensagem-desabafo: "É difícil ser vertical, sério, honrado e garantir um governo societário rigoroso."

Na prática, Félix Morgado faz uma defesa da honra (tem todo o direito a isso), mas a sua mensagem acaba por trair aquilo que classifica como a sua principal enquanto gestor do Montepio, defender os interesses do banco e dos trabalhadores. Paradoxalmente, o ex-presidente executivo faz precisamente o contrário. Esta sua mensagem, que além de se constituir como desabafo, é enfaticamente um ajuste de contas e fragiliza a instituição ao olhar da opinião pública e, sobretudo, dos sócios da mutualista.

Ou seja, Félix Morgado colocou-se em primeiro lugar, acabando por trair o espírito da sua missiva, na medida em que projecta o holofote das suspeitas sobre a liderança da mutualista, enfraquecendo a caixa económica . O Montepio ficou para o fim
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