Celso  Filipe
Celso Filipe 04 de maio de 2018 às 12:27

O que Sócrates não fez e devia ter feito

José Sócrates teria evitado este desfecho com uma simples atitude, a de pedir a suspensão da sua filiação no PS a partir do momento em que foi constituído arguido.

José Sócrates pediu a desfiliação do PS e anunciou a decisão através de uma carta enviada ao PS publicado esta sexta-feira, 4 de Maio, no Jornal de Notícias. O antigo primeiro-ministro tomou esta iniciativa depois do presidente do PS, Carlos César, e do líder parlamentar do partido, João Galamba, se terem manifestado "envergonhados" com o seu caso.

Carlos César, em declarações à TSF, revelou esse sentimento em função das suspeitas que recaem sobre o antigo ministro da Economia, Manuel Pinho, tendo acrescentado a "vergonha é ainda maior" no que diz respeito ao processo de Sócrates por se tratar de um antigo primeiro-ministro.

Estas críticas, segundo José Sócrates, ultrapassam "os limites do que é aceitável" e fundamentam a opção que agora tomou. "Desde sempre, como seu líder, e agora nos momentos mais difíceis, encontrei nos militantes do PS um apoio e companheirismo que não esquecerei. Mas a injustiça que agora a direcção do PS comete comigo, juntando-se à direita política na tentativa de criminalizar uma governação, ultrapassa os limites do que é aceitável no convívio pessoal e político", argumenta.

Tudo podia ter corrido de forma diferente caso José Sócrates tivesse separado as águas. Bastaria ao antigo secretário-geral do PS, a partir do momento em que foi constituído arguido, ter solicitado a suspensão da sua filiação do partido. Desta forma, não só protegeria o PS, como também separaria claramente a esfera política da judicial.

Sócrates insiste que o seu processo é uma "tentativa de criminalizar a governação" e este equívoco conduziu até aqui. Não é o Governo do PS, por si liderado, que está a ser alvo da justiça, mas sim ele próprio e agora, também, o ex-ministro da Economia.

José Sócrates teria poupado estes embaraços com um simples pedido de suspensão da sua filiação, desobrigando o PS, enquanto organização política, de qualquer compromisso. Além de que seria também uma forma de imunizar o partido que também é seu.

Pelo contrário, quis usar o PS como escudo e factor de pressão, e a situação tornou-se insustentável. Agora faz-se de vítima e insinua que o seu próprio partido o está a condenar sem julgamento. O triste desfecho era evitável. Não o foi por sua exclusiva responsabilidade. Ou seja, José Sócrates só se pode queixar de si próprio.

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