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Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 15 de Julho de 2012 às 23:30

O inefável Paulo Portas

1. Paulo Portas levita sobre a actualidade como se não fosse nada com ele. A última sondagem da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã prova quantitativamente esta tese. A avaliação de Paulo Portas, 9,2, é superior à de Passos Coelho, 6,5, e o CDS/PP até sobe ligeiramente na intenção de voto, ao contrário do PSD.

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1. Paulo Portas levita sobre a actualidade como se não fosse nada com ele. A última sondagem da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã prova quantitativamente esta tese. A avaliação de Paulo Portas, 9,2, é superior à de Passos Coelho, 6,5, e o CDS/PP até sobe ligeiramente na intenção de voto, ao contrário do PSD.

O primeiro-ministro assume o ónus do período difícil, Paulo Portas vai-se esquivando com mestria, sem nunca dar a ideia de o estar a fazer. Assenta-lhe, na perfeição, o qualificativo de "animal político", inventado para classificar Mário Soares.

2.O ministro dos Negócios Estrangeiros deu, mais uma vez, provas destes predicados na semana passada. Enquanto o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, arcava com as culpas pelo falhanço do investimento da Rio Tinto nas minas de Neves Corvo, Paulo Portas veio anunciar um investimento de 130 milhões de euros da Somincor nessas mesmas minas, na qualidade de ministro que partilha a tutela da Aicep com o primeiro-ministro. Álvaro Santos Pereira ficou com o odioso, Paulo Portas com o anúncio radioso.

3. A possibilidade de vir a ser aplicado um imposto extraordinário sobre os trabalhadores do privado, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional de declarar inconstitucional os cortes na Função Pública é um assunto que incomoda o ministro, porque será uma punição infligida junto de uma faixa da população onde o CDS/PP tem muitos eleitores. E o que fez Paulo Portas? Nada. Fizeram por ele. António Pires de Lima, um indefectível do líder centrista e presidente do conselho nacional do CDS disse tudo o que havia para dizer: "é preciso encontrar todo o tipo de soluções que permitam evitar um maior aumento de impostos em 2013" disse o também gestor, com um aviso, para que não restassem dúvidas: "o CDS já por várias vezes, até o seu grupo parlamentar, demonstrou desconforto em torno de mais um aumento de impostos".

4. Por fim, os casos envolvendo Miguel Relvas foram uma ajuda inesperada para Paulo Portas. Passos Coelho fica fragilizado com as polémicas que envolvem o seu lugar-tenente, o homem da máquina e da política ‘tout court’, tornando mais evidente a importância do líder do CDS/PP no interior do Governo. Enquanto o primeiro-ministro se chamusca em nome da lealdade e das convicções, Portas consolida-se como estadista e cavalga esta onda como se viu, por exemplo, na sua intervenção sobre o Estado da Nação.

O Governo, tal como está, é o ideal para Paulo Portas.

*Subdirector
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