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Santana Lopes, presidente de quê?

António Costa resiste e Passos Coelho patina, não encontrando uma nova fórmula de comunicação que lhe permita conquistar simpatias.

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O barómetro de Outubro da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã mostra mais do mesmo. O PS continua a liderar as intenções de votos, o PSD não se consegue aproximar e se as eleições fossem hoje, a percentagem de votos somada dos partidos da geringonça seria maior do que a obtida nas legislativas de 15 de Outubro.

 

Dito de outra forma, António Costa resiste e Passos Coelho patina, não encontrando uma nova fórmula de comunicação que lhe permita conquistar simpatias.

 

Neste contexto, as autárquicas de Setembro ou Outubro de 2017 (ainda não há data marcada) são um desafio decisivo para Passos Coelho e uma vitória não chegará para se manter na liderança do partido. E a este propósito basta ver o que aconteceu ao antigo líder do PS, António José Seguro, depois das autárquicas de 2013.

 

E é aqui que entra Pedro Santana Lopes, que por esta altura se encontra num lugar cómodo, o de provedor da Santa Casa da Misericórdia. Depois de algumas indecisões, o PSD comunicou, através de José Eduardo Martins, coordenador do programa eleitoral, que Santana Lopes, caso assim o deseje, será o "candidato natural" do partido à Câmara Municipal de Lisboa.

 

É certo que este apoio expresso da direcção social-democrata pressiona Santana Lopes a tomar uma decisão. Mas, mais importante ainda, torna-o relevante, porque assume que ele é o candidato mais bem colocado para desalojar Fernando Medina da liderança da autarquia lisboeta. Ou seja, quanto mais se falar do provedor da Santa Casa, tanto mais protagonismo ele irá assumir, além de lhe conferir a aura de um potencial vencedor.

 

Isto é tudo o que ele precisa para delinear a sua estratégia futura. Mais do que sonhar com o regresso à Câmara de Lisboa, Santana Lopes poderá assim ganhar lastro para reocupar o lugar que porventura está no seu horizonte político mais próximo, o de presidente do PSD.

 

Uma candidatura nas eleições autárquicas é um perigo desnecessário, porque uma derrota o iria afastar da corrida à liderança do partido. Pelo contrário, a recusa em ser candidato preserva a percepção inicial, a de que é uma personalidade com perfil ganhador e importante para resgatar o PSD de um eventual mau resultado eleitoral.

 

Santana já decidiu o que vai fazer, mas sabe que a especulação em torno da sua candidatura lhe garante uma força política crescente. E é por isso que vai alimentando o tabu.

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