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Somos bons a fazer tricô com as palavras

Os melhores alunos dos cursos de Economia dos últimos 20 anos optaram por fazer carreira na Universidade. E preferiram ficar em Portugal.

Esta foi a principal conclusão de um trabalho publicado na edição de quarta-feira do Negócios, onde se procurava saber qual o destino das nossas mentes brilhantes, depois de concluída a sua formação académica.

A opção é reveladora. Entre a estabilidade e o risco escolhe-se a primeira. Entre o conforto de um lugar que se conhece e a hipótese de enfrentar desafios, volta-se a escolher a primeira opção.

Aparentemente não há nada de errado nesta escolha. A academia tem méritos inegáveis e se os melhores lá ficam, subsiste a possibilidade de transmitirem melhor os conhecimentos a quem lá chega. Eufemisticamente chama-se a isto a qualidade do ensino.

Só que esta permanência no casulo universitário coloca-nos perante um dupla evidência. Uma tem a ver com a falta de capacidade de atracção de talentos que o mundo empresarial evidencia. A segunda, decorrente da primeira, tem a ver com os próprios horizontes profissionais que estes alunos traçam para o seu futuro. Cómodo e seguro.

Curiosamente, ou não, a resposta à pergunta é dada por Raquel Jesus, que concluiu o curso de Gestão do ISEG com 17 valores e é das poucas que saltou o muro académico. "Acho que o essencial era existir uma mudança de mentalidades em primeiro lugar. Só que isto não depende totalmente dos titulares de cargos públicos importantes". Pois não. É preciso passar à acção, em vez de fazer tricô com as palavras. E isso custa muito. A todos.




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