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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 10 de Janeiro de 2005 às 13:59

60 votos pensados

Desde o início do Verão passado, com a saída de Durão Barroso para Bruxelas, que o país entrou em clima de PREC. Foram seis meses alucinantes. Casos e crises para todos os gostos sucederam-se, até ao epílogo dissolução do Parlamento. À luz de tudo o que s

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Esqueça, apesar disso, o que tem sido dito sobre a crise política e os sinais de alarme e preocupação que têm surgido um pouco por todo lado. É que se a crise política é um constrangimento, a sua importância na situação económica do país deve ser relativizada. Essa é uma das mais interessantes conclusões das respostas do painel de 60 decisores ao inquérito de início de ano do Jornal de Negócios, que colocam a crise política apenas em quatro lugar como causa do fraco crescimento da economia portuguesa em 2004, muito atrás da ausência de reformas estruturais, que faz praticamente o pleno das respostas, ou da política orçamental.

Quando se fala em reformas estruturais fala-se de quê? Das respostas do painel, dois temas se destacam: a reforma da Administração Pública e a celeridade da justiça, à frente da simplificação fiscal e muito à frente da redução das taxas de IRC - atente-se bem que aparece como mais importante desburocratizar do que reduzir impostos. São esses os temas que os empresários querem ver atacados com prioridade já em 2005 e sobre os quais se espera que os programas dos partidos façam propostas concretas.

Um bom exemplo é a entrevista de Miguel Cadilhe publicada este fim de semana no «Jornal de Notícias», na qual o ex-ministro das Finanças defende a redução para dois terços da actividade corrente do Sector Público Administrativa no período de uma legislatura, nomeadamente por recurso ao encerramento de serviços. Para pagar as despesas associadas a esse esforço de redimensionamento Cadilhe propõe a criação de um fundo extraordinário de investimento, admitindo mesmo a venda de reservas de ouro para obter recursos.

A consciência de que o Estado precisa de um abanão não é apenas de Cadilhe, está entranhada nos mais diversos níveis da sociedade. Mais dúvidas suscita a capacidade dos partidos, em especial dos que têm vocação (ou capacidade) de poder, para o realizar. O que pode ajudar a explicar os fracos níveis de confiança revelados pelo painel na «melhor solução de Governo» para Portugal. Os empresários confiam tão pouco num Governo PS como numa coligação PSD-CDS/PP, que são apesar de tudo as soluções de Governo mais votadas. Confiam ainda menos num Governo de Bloco Central, apesar das vozes que têm vindo a público a defender a solução, e muito menos num Governo PSD. Não é por acaso que Santana Lopes é apontado como o principal responsável pela situação de instabilidade política vivida no ano passado.

O problema é que os decisores representam apenas 60 votos. Muito poucos para vencer eleições.

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