Celso  Filipe
Celso Filipe 08 de março de 2018 às 23:00

A academia e o preconceito

É confrangedor ver um grupo de alunos do ISCSP (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas) promover um abaixo-assinado contra a contratação de Pedro Passos Coelho como professor.

Os subscritores argumentam que o antigo primeiro-ministro "nunca leccionou, nunca preparou uma tese na sua vida, nunca trabalhou em investigação e nunca teve um percurso académico minimamente relevante para que seja capaz de preparar alunos de mestrado e doutoramento".

Esta iniciativa parte de um pressuposto, o de uma indisfarçável soberba académica, que num momento posterior insinua, candidamente, o perigo de uma "cartelização política", devido ao facto de o actual reitor do ISCSP, Manuel Meirinho, ter sido eleito deputado como independente nas listas do PSD em 2011.

Os subscritores do abaixo-assinado deviam antes esperar que Passos Coelho começasse a dar aulas para, então sim, avaliarem os méritos do antigo primeiro-ministro enquanto docente e agirem em conformidade. Fazendo-o a priori, podem também eles ser acusados de "cartelização política" às avessas.

Aliás, parece evidente que as motivações deste abaixo-assinado têm muito pouco de academia e demasiado de ataque político. O que não tem nada de mal, se fosse assumido na plenitude. Não o sendo, este abaixo-assinado emerge como um ajuste de contas soez.  

 

Com amigos destes não são precisos inimigos

 

Mario Draghi, após a reunião de conselho do Banco Central Europeu (BCE) de quinta-feira, colocou o dedo na ferida relativamente à guerra comercial que Donald Trump planeia abrir. "Se pomos tarifas nos aliados, questionamo-nos sobre quem são os inimigos", salientou Draghi. De facto, mesmo que  o alvo prioritário dos Estados Unidos seja a China, a realidade é que uma guerra desta natureza provoca sempre danos colaterais e reacções casuísticas.

Depois há uma contradição insanável. Trump, o paladino do liberalismo económico que pressupõe uma concorrência total, é o mesmo que pretende construir um muro feito de taxas para defender as suas empresas da competitividade exterior. Em vez disso, seria muito mais sensato exigir à China reciprocidade no tratamento do investimento e reciprocidade no relacionamento económico.

Os impulsos de Trump podem virar o mundo do avesso. E isso é um perigo.
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comentários mais recentes
Anónimo 13.03.2018

Se a questão está em ser equiparado a catedrático de carreira, porque é que não o contratam como freelancer convidado pago à hora ou à peça? Mais um motivo para que as regras laborais em Portugal evoluam no bom sentido. O sentido defendido pela troika e pelo próprio Pedro Passos Coelho.

Alfon 11.03.2018

Sr. Celso, não seria melhor primeiro o que PPC vale como professor e depous equipará-lo a catedrático?

Lembrai-vos de 1930 11.03.2018

Toda a ruptura da ordem constitucional tem um preço. O resgate do compromisso de Sócrates com a a troika fez-se contra os portugueses e portuguesas. As oligarquias, a politica do PSD e CDS, empolgavam os destinos do governo em detrimento das verdadeiras aspirações da população.

Marta 11.03.2018

Confrangedor é fazermos Mestrados e Doutoramentos, com nota máxima, e não realizar o Sonho de dar aulas porque não abrem concursos, ou os fazem para Amigos, ou para assistentes relapsos com prazos de Doutoramento alargados. Facilidades para Amigos, sim, é Confrangedor!

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