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Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 18 de Junho de 2018 às 23:00

A telenovela da TVI

Desde 28 de Maio que já se sabia o desfecho que iria ter a compra da TVI por parte da Altice. Nesse dia, a Autoridade da Concorrência (AdC) informou o grupo francês que tinha chumbado os “remédios” apresentados por este para concretizar a operação, sustentando a decisão em dois pilares: o negócio não protegia os interesses dos consumidores nem garantia a concorrência no mercado.

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No dia seguinte confirmou-se o óbito da aquisição quando a Altice, em comunicado, garantiu que não iria apresentar novos "remédios", embora salvaguardando que mantinha o interesse na Media Capital, da TVI, o que, há luz dos factos, era uma equação impossível.

O que a Altice agora fez foi um passe de mágica na tentativa de não surgir como derrotada nesta telenovela, empenhando-se em reescrever o final da história. Em vez de esperar pela decisão definitiva da AdC, que iria ser divulgada esta semana, antecipou-se e anunciou  (em sintonia com a Prisa, grupo espanhol vendedor) o fim do processo de compra da Media Capital. Desta forma, apostou em tornar irrelevante a pronúncia final da AdC, à qual enviou um requerimento a solicitar o fim do negócio.

Com esta acção, a Altice procura também colocar a entidade liderada por Margarida Matos Rosa como a vilã desta telenovela, construindo a narrativa de que a aquisição falhou por exclusiva responsabilidade daquela. Segundo a Altice, a AdC não só demorou demasiado tempo na análise do processo como também contribuiu o facto de não ter aceitado, de forma injustificada, os "remédios" que foram propostos. Perdeu-se "uma oportunidade crucial para dinamizar o sector das telecomunicações e dos media em Portugal (...) resistindo-se, injustificadamente, e em prejuízo da atractividade da oferta no mercado nacional, à tendência global para a consolidação entre telecomunicações, media, conteúdos e publicidade digital", diz a Altice.

Uma opinião diferente da sustentada por outras empresas que actuam neste mercado. Os operadores Nos e Vodafone e o grupo de media Impresa, os quais se regozijaram com este desfecho.

É certo que irá haver nova telenovela cuja trama será  também a de uma concentração entre empresas de telecomunicações e de media. A seu tempo se saberá. Para já a Altice sai de campo derrotada, ainda culpe o árbitro
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