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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 09 de Março de 2007 às 13:59

A futebolização das OPA

Ontem o dia foi fértil em notícias substantivas. Os governos de Portugal e Espanha assinaram em Lisboa acordos que vão dar corpo ao Mercado Ibérico da Energia. As medidas de compatibilização regulatória são importantes mas como o Mibel já foi tantas veze

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As declarações dos responsáveis das empresas envolvidas espelham essa falta de entusiasmo.

Além de que, enquanto houver tarifas reguladas, a concorrência não passa de uma miragem, sobretudo para os consumidores domésticos. E quando houver concorrência não é seguro que os preços desçam, por mais que o ministro Pinho diga o contrário.

Ontem, o BCE elevou a taxa de juro para 3,75% mas o mercado já tinha absorvido o movimento e portanto as empresas e famílias também já tinham sentido no bolso que o dinheiro está mais caro. A notícia afinal é outra: é que o BCE pode ter sinalizado o fim do ciclo de subida das taxas. Outro caso de esperar para ver.

A terceira notícia substantiva vem do Conselho Europeu da Primavera. Os líderes europeus têm em cima da mesa um ambicioso compromisso de redução das emissões de CO2 até 2020. Não se entendem sobre a própria casa europeia mas conseguem pôr-se de acordo para declarações de princípio sobre um tema importante. Outro caso de esperar para ver.

Não é tão substantiva como as anteriores mas tem muito mais picante a polémica instalada entre a PT e o Santander.

Esperava-se que o fim da OPA proporcionasse alguma distensão do ambiente, depois de 13 meses de debate vivo, às vezes vivo de mais. Acontece que, contra as expectativas, o tom não normalizou e, igualmente ao contrário do que se poderia prever, a polémica não veio da Sonae nem de Belmiro de Azevedo.

Quem continua imparável é Henrique Granadeiro. O principal vencedor do processo não obedeceu ao princípio de ser magnânimo na vitória. Provavelmente embalado pela dinâmica anterior, as suas declarações continuam a atear focos de incêndio e a semear perplexidades. A necessidade de exigir uma clarificação da Telefónica é compreensível, mas as restantes guerras não fazem sentido. Em especial o atributo de "banco traidor" ao Santander, por ter utilizado o conhecimento íntimo que alegadamente  tinha da Portugal Telecom ao serviço do oferente. Uma acusação grave que motivou um inédito comunicado de resposta do Santander.

Granadeiro cometeu outro erro, na entrevista que fez chegar aos colaboradores da empresa. Disse que faria os possíveis por concretizar o "spin-off" da PT Multimedia em 2007, mas admitiu que pudesse acontecer apenas em 2008. Ora, em entrevista ao Jornal de Negócios, no passado dia 1 de Março, na véspera da assembleia geral, o presidente da PT disse taxativamente que o "spin-off" da PT Multimedia "será feito ainda este ano". Sem qualquer margem para dúvidas.

Se é deslize, é caso para dizer que Granadeiro merece férias, até porque está a pôr em causa a imagem de credibilidade que soube conquistar na longa batalha com a Sonae. O pior é se não é deslize.

As OPA, em especial a da PT, deram ao noticiário de economia um colorido que costuma ser mais próprio do mundo do futebol. É mais animado mas o jogo pode ser arriscado, sobretudo porque não se joga a feijões.

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